Você já se perguntou como é que as mulheres se sentem durante o Carnaval, especialmente aqui em Campinas? Essa foi a pergunta que motivou a nossa campanha “Carnaval Sem Assédio”, da qual eu sou uma das idealizadoras. Durante o Carnaval, nós estivemos em Barão Geraldo, conversando diretamente com as mulheres para entender suas percepções sobre assédio, segurança e como se proteger nessa época de folia. Os relatos que colhemos são um espelho da realidade que muitas de nós enfrentamos diariamente.
Como as mulheres de Campinas vivenciam o Carnaval?
O que a gente mais ouviu nas nossas conversas foi um sentimento misto de alegria pela festa e uma preocupação constante com a segurança. Muitas mulheres nos contaram que só se sentem realmente confortáveis e seguras quando estão em grupo, com amigos e pessoas conhecidas. Uma das entrevistadas, por exemplo, compartilhou que nunca sofreu assédio porque “sempre andou em bando”, e essa se tornou uma dica fundamental para ela e para muitas outras: “ande com pessoas que você se sente confortável”.
Esse cuidado, de estar sempre acompanhada, não se restringe apenas ao Carnaval. Muitas mulheres relataram que essa é uma preocupação que se estende ao dia a dia, à noite, ao andar sozinha em qualquer lugar da cidade. A sensação de ter “um olho no peixe, outro no gato” é algo muito presente, mesmo quando estão se divertindo. Uma das falas que me marcou foi a de uma moradora que, embora não seja de Campinas, vem muito para cá e não se sente confortável em certos lugares, principalmente à noite, por conta de olhares e situações desconfortáveis.
Por que essa insegurança é um problema estrutural?
O fato de que a maioria das mulheres só se sente segura em grupos evidencia um problema que vai muito além da folia: a insegurança feminina é estrutural. Não deveria ser uma condição para a mulher se sentir livre e segura ter que estar sempre acompanhada. A liberdade de ir e vir, de ocupar os espaços públicos sem medo, é um direito fundamental que muitas vezes é negado a nós.
É por isso que mobilizamos campanhas como o “Carnaval Sem Assédio” aqui em Campinas. Não é justo que a gente precise se preocupar o tempo todo, que a gente tenha que desenvolver estratégias de autoproteção ou de “bando” para simplesmente existir e se divertir. A gente precisa de políticas públicas eficazes e de uma mudança cultural que garanta que todos os espaços sejam seguros para as mulheres, em qualquer hora do dia ou da noite.
O que podemos fazer para garantir um Carnaval (e uma cidade) mais seguro?
Apesar de toda a insegurança, é importante ressaltar que as mulheres não deixam de curtir o Carnaval, e nem devem! A festa é um espaço de alegria e expressão, e a nossa luta é para que ela seja assim para todas, sem exceção. A campanha “Carnaval Sem Assédio” é um passo importante nessa direção. Em Barão Geraldo, alcançamos mais de 4 mil pessoas, conversando, orientando e mostrando que é possível e necessário um Carnaval mais respeitoso.
Nós seguiremos mobilizando ações contra o assédio sexual e a violência contra as mulheres. A conscientização, a informação e o apoio são ferramentas poderosas. Se você vivenciar ou presenciar alguma situação de assédio, denuncie. E lembre-se: ninguém vai estar livre até que todas nós estejamos livres.
Em resumo
- A campanha “Carnaval Sem Assédio” conversou com mulheres em Barão Geraldo, Campinas, sobre segurança e assédio.
- A maioria das mulheres relatou sentir-se segura apenas quando em grupo, estendendo essa preocupação ao dia a dia.
- A insegurança feminina durante o Carnaval reflete um problema estrutural de falta de segurança em espaços públicos.
- A campanha alcançou mais de 4 mil pessoas, promovendo conscientização e orientação contra o assédio.
Perguntas frequentes
O que é o Carnaval Sem Assédio?
É uma campanha de conscientização e prevenção ao assédio sexual durante as festividades de Carnaval, que atua em Campinas para promover um ambiente mais seguro para as mulheres.
Por que as mulheres se sentem inseguras no Carnaval?
A insegurança deriva de experiências e riscos de assédio, levando muitas a sentirem-se seguras apenas quando acompanhadas, refletindo uma vulnerabilidade que transcende o período festivo.
Como posso contribuir para um Carnaval mais seguro?
Você pode se informar sobre como agir em casos de assédio, apoiar campanhas de conscientização e, principalmente, denunciar qualquer situação de assédio que presencie ou vivencie.