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O perigo mora ao lado: 70% dos agressores de crianças são familiares

É um dado que choca e dói, mas que precisamos encarar de frente: 70% dos agressores de crianças e adolescentes são familiares ou pessoas próximas à família. Eu sei que é difícil de aceitar, porque a gente sempre quer acreditar que a nossa casa é um lugar seguro, um porto de paz para nossos filhos e filhas. Mas a realidade, infelizmente, é outra.

Por que a violência infantil é tão difícil de identificar em casa?

A violência contra crianças e adolescentes, especialmente a sexual, muitas vezes acontece no silêncio, dentro dos próprios lares. Recentemente, a gente viu a notícia de um homem de 30 anos preso em São Paulo, acusado de estuprar a enteada de 12 anos. Os crimes aconteciam quando a mãe saía para trabalhar, deixando a menina sob os cuidados do agressor. Essa é uma situação que se repete em muitos lares e que nos lembra que o perigo nem sempre está na rua, mas pode estar muito próximo, com alguém que confiamos.

Muitas vezes, a criança não consegue falar sobre o que acontece, seja por medo, vergonha ou por não entender a gravidade da situação. O agressor, por ser alguém de dentro da família, manipula, ameaça e faz a vítima se sentir culpada. Isso cria um ciclo de silêncio que é extremamente difícil de quebrar.

Nesse mês de Maio Laranja, a gente intensifica a campanha de conscientização sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. É um chamado para que a gente abra os olhos e os ouvidos para os sinais, mesmo nos ambientes que consideramos mais seguros.

Como podemos proteger nossas crianças e adolescentes?

A proteção começa com a atenção. Precisamos estar atentos em todos os ambientes, inclusive e principalmente naqueles onde temos mais laços afetivos. Acreditar nas crianças é fundamental. Quando uma criança diz que não gosta de alguém, que está com medo ou que algo a incomoda, precisamos levar a sério. Não minimize o que elas sentem ou tentam expressar.

A rede de apoio também é vital. Se você desconfia de algo, não hesite em buscar ajuda. Converse com outros familiares, com a escola, com profissionais de saúde ou com conselheiros tutelares. O silêncio é o maior aliado do agressor.

Eu, através de projetos como a Escola Sem Assédio e os Ciclos de Proteção, luto para que mais crianças e adolescentes tenham conhecimento sobre seus direitos, sobre seus corpos e sobre como se proteger. É um trabalho de formiguinha, mas que faz toda a diferença.

Não se cale. Denuncie! A vida de uma criança pode depender da sua coragem. Se você precisar de mais informações ou quiser saber como se engajar nessa luta, visite meu site rebecacristina.com.

Em resumo

Perguntas frequentes

Como identificar sinais de abuso em crianças?
Fique atento a mudanças de comportamento, como isolamento, agressividade, medo de certas pessoas, pesadelos, dificuldades escolares, ou queixas físicas sem causa aparente.

Qual o papel da família na prevenção do abuso?
A família deve criar um ambiente de diálogo e confiança, ensinar a criança sobre o próprio corpo e o direito de dizer “não”, e validar seus sentimentos e medos.

Onde posso denunciar casos de abuso infantil?
Você pode denunciar através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), do Conselho Tutelar da sua cidade, ou procurar a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

O que é o Maio Laranja?
Maio Laranja é uma campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.