As imagens que vi de Pernambuco hoje são apavorantes e me deixaram profundamente indignada. Agressões brutais e, o mais chocante, um homem estuprado no meio da rua, tudo isso por uma rivalidade entre times de futebol. É uma situação absurda que escancara uma verdade dolorosa: o estupro e as violências sexuais são, antes de tudo, sobre dominação, humilhação e agressão, e não sobre desejo.
Por que a violência sexual é uma ferramenta de dominação?
Quando a gente se depara com cenas como essa, onde a violência sexual é usada como arma em um contexto de rivalidade e barbárie, fica ainda mais claro que não se trata de atração ou desejo. É uma demonstração cruel de poder, de querer submeter, humilhar e desumanizar o outro. A vítima é reduzida a um objeto para a satisfação do agressor em exercer controle e causar dor. E o mais revoltante é ver que, mesmo diante de tamanha atrocidade, o jogo seguiu normalmente, como se nada tivesse acontecido. Isso mostra o quanto a nossa sociedade ainda falha em reconhecer a gravidade dessas violências e em dar a devida resposta.
Qual o papel do Estado na prevenção de riscos?
Eu compartilhei uma reflexão que vi de um rapaz no rádio, sobre como o Estado consegue mobilizar recursos para grandes eventos, como o Galo da Madrugada, mas parece incapaz de controlar a violência em brigas de torcidas organizadas. Essa pergunta é muito pertinente e me faz pensar na falha que é não colocar a prevenção de riscos como prioridade. Os estados, de uma forma geral, pecam muito nesse ponto, especialmente quando há um potencial enorme para que casos de violência extrema aconteçam.
A segurança pública não pode ser reativa, ela precisa ser proativa. É fundamental que se olhe para os precedentes, para os alertas, e que se implementem políticas de prevenção eficazes. Não podemos esperar a tragédia acontecer para só então tentar remediar.
Como podemos construir um futuro mais seguro?
É por isso que o trabalho que eu desenvolvo aqui em Campinas e no Estado de São Paulo é tão focado na prevenção, no combate e no acolhimento. A gente precisa de uma rede de proteção que funcione, que eduque, que denuncie e que ampare as vítimas. Não é só sobre punir o agressor depois que o crime acontece, mas principalmente sobre criar um ambiente onde essas violências sejam inaceitáveis e evitáveis.
Temos que ter a capacidade de olhar para o que já aconteceu, aprender com os erros do passado, remediar o presente com acolhimento e justiça, e, acima de tudo, não permitir que essas atrocidades se repitam no futuro. A luta contra a violência sexual e de gênero é uma luta diária, que exige compromisso de todos nós e, principalmente, do poder público.
Em resumo
- Imagens de Pernambuco mostraram agressões e um homem estuprado em briga de torcidas.
- A violência sexual, como o estupro, é uma ferramenta de dominação, humilhação e agressão.
- A falta de prevenção de riscos por parte do Estado é um problema sério que contribui para a ocorrência de violências extremas.
- Rebeca Cristina defende a importância de um trabalho de prevenção, combate e acolhimento para construir um futuro mais seguro.
Perguntas frequentes
O que aconteceu em Pernambuco, segundo o relato de Rebeca Cristina?
Rebeca Cristina relatou ter visto imagens apavorantes de Pernambuco, com muitas agressões e um homem sendo estuprado no meio da rua, em um contexto de rivalidade entre times de futebol.
Qual a principal mensagem de Rebeca Cristina sobre a natureza da violência sexual?
Para Rebeca Cristina, a violência sexual, incluindo o estupro, é fundamentalmente sobre dominação, humilhação e agressão, e não sobre desejo ou atração.
Por que a prevenção de riscos é crucial para Rebeca Cristina?
Ela destaca que um dos maiores problemas nos estados é a falta de prioridade na prevenção de riscos, o que pode levar a casos de violência extrema. Para ela, é essencial olhar para o passado, remediar o presente e não permitir que futuras violências aconteçam.