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Rebeca Cristina: Chega de Violência e Desrespeito, O que as Mulheres Não Aguentam Mais na Política

No Dia Internacional da Mulher, a gente celebra nossas conquistas, mas também é um momento crucial para olhar de frente para o que ainda nos oprime. Para mim, e para muitas de nós, a política continua sendo um espaço extremamente violento, onde nossos direitos são constantemente atacados. É por isso que eu quero falar sobre algumas coisas que a gente simplesmente não aguenta mais, especialmente quando o assunto é a nossa participação e reconhecimento nesse meio.

Por que a política ainda é um espaço tão hostil para nós?

A política deveria ser um espelho da sociedade, um lugar onde diferentes vozes se encontram para construir um futuro melhor. Mas, para as mulheres, muitas vezes ela se apresenta como um campo de batalha, cheio de obstáculos e violências. Eu vejo isso todos os dias, e é uma realidade que precisamos desconstruir.

Quando olhamos para a cena política, a primeira coisa que salta aos olhos é a quantidade de governantes que postam frases bonitas, cheias de clichês e promessas vazias no Dia da Mulher, mas que, na prática, não fazem absolutamente nada por nós. Não basta um post no Instagram ou um discurso protocolar. Queremos ações concretas, políticas públicas que realmente mudem a vida das mulheres, que garantam segurança, autonomia e dignidade. A gente não aguenta mais promessas que não se transformam em realidade.

Onde está a nossa representatividade?

Outro ponto que me causa muita indignação é a falta de representatividade. No Brasil, somos a maioria da população, mas quando olhamos para os cargos de poder, a nossa presença é mínima. É revoltante pensar que, na história do nosso país, os brasileiros só puderam relembrar uma única mulher na presidência. Isso não é só um dado estatístico, é um reflexo de uma estrutura que impede ou dificulta que mulheres cheguem e se mantenham em posições de liderança. Como podemos esperar que nossas pautas sejam prioridade se não estamos nas mesas de decisão? A gente precisa de mais mulheres ocupando todos os espaços da política, do legislativo ao executivo, em todas as esferas.

Rosas são lindas, mas o respeito é essencial.

E o que dizer sobre a superficialidade de certas “homenagens”? No Dia da Mulher, muitas de nós ganham rosas, recebem parabéns, mas a verdade é que ainda não ganhamos o total respeito social que merecemos. Rosas são lindas, mas não substituem o direito de andar na rua sem medo, de receber o mesmo salário que um homem para a mesma função, de ter nossas vozes ouvidas e valorizadas. O respeito não é um presente que se dá uma vez por ano, é uma base para a convivência, para a igualdade, para a justiça. A gente quer respeito, não apenas flores.

Nossas lutas não são sobre beleza, são sobre direitos.

Por fim, me cansa profundamente ver pessoas falando só sobre a “beleza” das nossas políticas ou da “sensibilidade feminina” na política. Nossas lutas não são sobre estética ou sobre sermos “boazinhas”. Elas são sobre direitos humanos, sobre justiça social, sobre enfrentamento à violência de gênero, sobre educação, saúde e equidade. Quando se foca na beleza ou na delicadeza, se trivializa o trabalho sério, a inteligência e a garra que as mulheres colocam em cada pauta, em cada projeto, em cada batalha. A gente está na política para transformar, para lutar por um país mais justo para todas e todos, e isso é muito mais do que “bonito”, é fundamental.

Em resumo

Perguntas frequentes

Por que o Dia da Mulher é um momento de reflexão e não apenas de celebração?
É um dia para celebrar as conquistas, mas também para lembrar que a luta por igualdade e direitos ainda está longe de acabar, expondo as violências e desafios que as mulheres ainda enfrentam.

Quais são os principais desafios das mulheres na política brasileira?
Os desafios incluem a violência política de gênero, a baixa representatividade em cargos de poder, a falta de apoio para suas candidaturas e a dificuldade em ter suas pautas priorizadas e respeitadas.

Como podemos exigir mais do que apenas frases e rosas dos nossos representantes?
É fundamental cobrar ações concretas, participar ativamente do debate político, apoiar candidaturas de mulheres comprometidas com a causa e fiscalizar o cumprimento das leis e políticas públicas voltadas para os direitos das mulheres.