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Rebeca Cristina: A Urgência de Repensar a Segurança Pública em São Paulo

Você já parou pra se perguntar o que está acontecendo com a segurança pública aqui no estado de São Paulo? Eu sei que muita gente tem essa dúvida, inclusive eu, porque a cada dia que passa a gente tem a impressão de que a situação está piorando. E, de fato, nós nos sentimos cada vez mais inseguras. Há poucos dias, a morte de um vendedor ambulante senegalês pela Polícia Militar em São Paulo gerou muita revolta e protestos da própria comunidade. Esse caso é a ponta do iceberg de problemas muito maiores e estruturais que precisamos combater de forma integral.

O que está acontecendo com a segurança pública em São Paulo?

Infelizmente, esse tipo de ação violenta não tem sido novidade por aqui. Os números são alarmantes: a morte de crianças e adolescentes pela PM no estado de São Paulo aumentou em até 120% desde o início do governo Tarcísio. E não são só os civis que estão morrendo. A morte de policiais também aumentou. Isso mostra que as ações atuais não estão prejudicando apenas a população, mas também os próprios agentes de segurança. As coisas não deveriam ser assim. É um cenário que nos deixa de coração apertado e nos faz questionar a eficácia das políticas de segurança.

As câmeras corporais são a solução?

No governo anterior, São Paulo tinha uma política de câmeras nos uniformes dos policiais, que eram ligadas automaticamente. Uma das promessas de campanha do Tarcísio foi que essas câmeras seriam removidas, e assim ele fez. Mas, depois de tanto aumento da violência, tanto por parte dos policiais quanto contra eles, ele voltou atrás, dizendo que as câmeras vão retornar. O problema é que a nova política não é igual à anterior. Agora, os próprios policiais vão ligar suas câmeras, o que a gente sabe que não terá a mesma eficiência. Em 2021 e 2022, o uso das câmeras diminuiu em até 57% as mortes causadas pelos policiais. Além de que, se o policial sofresse com alguma acusação, teria a filmagem da câmera para se defender e provar sua inocência. É uma ferramenta de proteção para todos.

Por que precisamos de uma política de segurança mais ampla?

O Tarcísio já demonstrou que não se importa com isso, chegando a declarar no ano passado que não se importava se denunciassem para a ONU ou qualquer outro órgão. Mas a realidade é dura. E eu não digo isso só por conta das câmeras e dos policiais. Uma política de segurança pública precisa ir além do policiamento ostensivo. Ela precisa, inclusive, cuidar dos policiais, oferecer condições de trabalho dignas e treinamento adequado. E, acima de tudo, precisa tratar as violências em todas as suas formas, em todas as esferas que ela atinge a vida das pessoas. Infelizmente, não é isso que temos visto acontecer no estado de São Paulo, e a população está sendo extremamente prejudicada. Eu tenho buscado cada vez mais falar sobre segurança pública de uma forma responsável. Eu já trabalho com combate e prevenção à violência há alguns anos, mas nós sabemos que a segurança pública atravessa completamente essa pauta, e que sem ela não existe a pauta de combate à violência como um todo. Essa é uma reflexão que a gente precisa fazer enquanto sociedade.

Em resumo

Perguntas frequentes

A violência policial aumentou em São Paulo?
Sim, os dados mostram um aumento preocupante na violência, incluindo um crescimento de até 120% nas mortes de crianças e adolescentes pela Polícia Militar desde o início do governo Tarcísio.

Qual o papel das câmeras corporais na segurança pública?
As câmeras corporais são ferramentas eficazes para reduzir a letalidade policial e proteger tanto civis quanto os próprios policiais de acusações indevidas. Seu uso automático demonstrou diminuir as mortes em até 57%.

Por que a nova política de câmeras é menos eficaz?
A nova política permite que os policiais acionem as câmeras manualmente, o que pode comprometer a transparência e a eficácia da fiscalização, diferentemente do sistema anterior que as ligava automaticamente.