Recebi um comentário no meu vídeo sobre a Bruna Oliveira, estudante da USP assassinada em São Paulo, que me fez parar e pensar: “Uma esquerdista menos.” É com esse tipo de ódio explícito que a gente lida diariamente na luta contra a violência de gênero, e é por isso que digo, com toda a certeza: Bruna somos nós. A história dela, infelizmente, ecoa a realidade de muitas mulheres que são alvo de uma violência que não é só física, mas também de um ódio político e ideológico.
Por que o ódio online contra mulheres é político?
Esse comentário sobre a Bruna, e tantos outros que vejo por aí, são a prova viva de que a nossa luta não é só social, ela é profundamente política. O ódio contra as mulheres é incrivelmente propagado na internet, principalmente por grupos conservadores. Eu percebo isso nos meus próprios vídeos, onde mulheres se unem para falar sobre como esse conservadorismo e esse ódio se juntam para atacar a nossa própria existência, a nossa autonomia e a nossa voz.
Quando uma mulher é assassinada e a reação é de comemoração ou desumanização por sua ideologia política, isso mostra que a violência vai além do ato em si. Ela está enraizada em uma estrutura que desvaloriza a vida feminina, especialmente quando ela se posiciona, quando ela é “diferente”, quando ela é “esquerdista”. Isso não é um caso isolado, é um sintoma de um problema estrutural que precisa ser enfrentado de frente, e isso se faz com políticas públicas e com a nossa mobilização.
A consciência feminina não basta: precisamos dos homens na luta
É uma gota de esperança ver as mulheres cada vez mais conscientizadas sobre essa realidade, identificando e denunciando o machismo, o assédio e a violência. Mas isso, por si só, não é suficiente. Por mais que nós sejamos a maioria das vítimas, a luta contra a violência de gênero nunca foi só sobre a gente.
Os homens também precisam dessa consciência. Eles precisam participar ativamente dessa luta. É fundamental que eles entendam o seu papel em desconstruir o machismo, em combater o ódio online e offline, em se posicionar contra a violência e em ser parte da solução. Não dá para esperar que a gente mude o mundo sozinha, enquanto a cultura de ódio e a violência continuam sendo naturalizadas ou até mesmo aplaudidas por alguns. A segurança e a dignidade de todas nós dependem de um esforço coletivo.
Em resumo
- Um comentário de ódio online sobre o assassinato de Bruna Oliveira revelou a natureza política da violência de gênero.
- O ódio contra mulheres é propagado na internet, especialmente por grupos conservadores, atacando a existência feminina.
- A luta contra a violência de gênero é política e exige o enfrentamento de estruturas ideológicas que desvalorizam a vida das mulheres.
- A conscientização das mulheres é importante, mas a participação ativa e consciente dos homens é indispensável para combater o machismo e a violência.
Perguntas frequentes
O que é violência de gênero?
É qualquer ato de violência ou agressão que se baseia no gênero da vítima, causando dano físico, sexual, psicológico ou moral. Inclui misoginia, machismo e discriminação.
Como o conservadorismo se liga à violência de gênero?
O conservadorismo, em algumas de suas vertentes, pode reforçar papéis de gênero tradicionais e hierarquias que limitam a autonomia feminina, contribuindo para um ambiente onde a violência e o ódio contra mulheres são mais facilmente propagados ou justificados.
Qual o papel dos homens no combate à violência de gênero?
Os homens têm um papel crucial em desconstruir o machismo, se posicionar contra a violência, educar outros homens, e participar ativamente da construção de uma sociedade mais igualitária e segura para todas as mulheres.