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Rebeca Cristina: O caso do motorista de ônibus e a urgência de combater a violência sexual em todo lugar

É chocante, mas real: um motorista de ônibus aqui em Campinas foi demitido depois de ser filmado se masturbando na linha 244. Esse caso é mais uma prova dolorosa de que a luta contra a violência sexual precisa estar presente em todos os ambientes que frequentamos, sem exceção. Nenhum lugar é totalmente seguro, e essa é uma realidade que a gente precisa combater de frente.

Por que a violência sexual aumenta no transporte público?

O que aconteceu com esse motorista de ônibus não é um caso isolado, infelizmente. Aqui em Campinas, os números são alarmantes: no ano passado, os casos de importunação sexual dentro do transporte público simplesmente triplicaram. E isso acompanha uma tendência de aumento de todos os tipos de violência contra mulheres em nossa região. Eu já falei sobre isso em outros momentos, mas a verdade é que estamos vendo uma escala gigantesca desse problema no nosso país.

Esse tipo de situação aumenta a insegurança de quem usa o transporte público, especialmente das mulheres. A gente deveria poder se locomover com tranquilidade, mas a cada dia somos lembradas de que a vigilância precisa ser constante.

Como as campanhas de prevenção podem ajudar?

Nesse ano, a campanha do Carnaval Sem Assédio esteve presente nos ônibus da cidade de Campinas. Apesar de nossas tendas de acolhimento terem ficado nos blocos de carnaval, foi muito importante para as mulheres que usam o transporte público, e que usaram o transporte público para ir até os blocos, verem a nossa campanha nos ônibus.

Nós tínhamos uma mensagem clara contra o assédio e um QR Code onde as mulheres poderiam acessar para encontrar acolhimento em Campinas, caso alguma coisa acontecesse. Na campanha do Carnaval Sem Assédio, trabalhamos pelo acolhimento porque sabemos que essas violências poderiam aumentar durante o período. Mas o fato é que essas violências não podem nem chegar a acontecer, seja em um período festivo ou em um dia normal.

Qual o papel das empresas e da sociedade nessa luta?

Minha luta envolve isso também: trabalhar com o Carnaval Sem Assédio, com o Escola Sem Assédio, é sobre prevenção a esse tipo de violência. É por isso que as empresas de ônibus, e todos os outros tipos de empresas, precisam aplicar ferramentas e abordagens para prevenir a violência sexual. Não dá pra esperar que o problema aconteça para só então reagir. A prevenção é a chave.

A gente precisa entender que alguns lugares parecem mais seguros do que outros, mas todos são suscetíveis a esse tipo de violência. Essa é uma realidade muito dura e a gente precisa combater isso de forma coletiva, com políticas públicas eficazes e com o engajamento de toda a sociedade. A segurança e a dignidade das mulheres não podem ser negociadas.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é importunação sexual?
Importunação sexual é a prática de ato libidinoso contra alguém sem sua permissão, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiros. Inclui toques, beijos forçados e exibicionismo, como o caso do motorista.

Como denunciar a violência sexual no transporte público?
Em caso de importunação sexual, procure ajuda imediata de outros passageiros ou do motorista. Denuncie o ocorrido à polícia (telefone 190) e registre um boletim de ocorrência. Você também pode buscar apoio em centros de acolhimento e serviços especializados.

Qual a importância das campanhas de prevenção?
As campanhas de prevenção são cruciais para conscientizar a população sobre o que é violência sexual, como identificá-la e como agir. Elas também informam sobre os canais de denúncia e acolhimento, ajudando a criar uma rede de proteção e a inibir agressores.