A história de Fernando Vilaça, um menino de apenas 7 anos espancado até a morte em Manaus por homofobia, é um soco no estômago. A crueldade de tirarem a vida de uma criança por ser chamada de “viadinho” e por ele não aceitar a hostilidade e o preconceito é uma sentença de morte que não podemos aceitar. Descanse em paz, Fernando. Esse caso nos choca profundamente e nos mostra uma camada da violência de gênero que é essencial que a gente compreenda.
Por que a homofobia é também violência de gênero?
A violência de gênero é aquela que se baseia na identidade de gênero ou orientação sexual das pessoas. Ela acontece porque a sociedade espera que a gente performe certas condutas de acordo com o gênero com o qual nascemos. É um sistema que historicamente subjugou o gênero feminino como inferior. Por isso, muitas mulheres, mesmo cumprindo os papéis esperados culturalmente, ainda sofrem violência, porque são vistas como o “gênero inferior”.
Mas esses papéis de gênero impostos vão além e afetam a todos. Homens héteros que não performam 100% da masculinidade que é esperada também sofrem homofobia, por exemplo. Fernando era um menino que se identificava com o gênero com o qual nasceu, mas ele não performava a masculinidade imposta por essa sociedade. E isso, infelizmente, se tornou uma sentença de morte para ele. O que aconteceu é LGBTfobia, é uma violência baseada em gênero, e é um lembrete cruel de que grupos marginalizados sofrem mais com todos os tipos de violência.
Como podemos combater essa violência de forma unificada?
É por isso que, quando falamos de justiça de gênero e de combate às violências, a gente precisa incluir a todas e todos. A luta tem que ser unificada. É preciso trazer toda a sociedade para essa discussão, para que casos como o do Fernando não se repitam. A violência contra as mulheres tem disparado nos últimos anos, e eu sempre tenho trazido isso aqui. Paralelamente, é claro que, sempre que a violência contra mulheres aumenta, a violência contra outros grupos marginalizados também vai aumentar.
A nossa luta tem que ser forte e organizada. Quando falamos do combate à violência, precisamos incluir as pessoas LGBTQIAPN+, as pessoas negras, as pessoas indígenas, e todos que sofrem violências estruturais dentro desse sistema. Eu fiquei desolada com o caso do Fernando, mas isso nos mostra que precisamos nos organizar e fortalecer a nossa luta.
Eu te convido a fazer parte de um movimento pela vida e proteção das mulheres no estado de São Paulo. Sim, é um movimento de mulheres, mas estamos lutando por todos, por justiça de gênero, e se você quer fazer parte, conheça mais em rebecacristina.com.
Em resumo
- A morte de Fernando Vilaça, de 7 anos, em Manaus, por homofobia, é um caso de violência de gênero.
- A violência de gênero se baseia em expectativas sociais sobre identidade de gênero e orientação sexual.
- Homens que não performam a masculinidade imposta também podem ser vítimas de homofobia, que é uma forma de violência de gênero.
- A luta contra a violência deve ser unificada e incluir mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, negras e indígenas.
- É urgente fortalecer o movimento pela vida e proteção de todos os grupos marginalizados.
Perguntas frequentes
O que é violência de gênero?
É qualquer tipo de violência que se baseia na identidade de gênero ou orientação sexual de uma pessoa, muitas vezes ligada a expectativas sociais sobre como homens e mulheres devem se comportar.
Por que a LGBTfobia é considerada violência de gênero?
Porque a LGBTfobia ataca indivíduos que não se encaixam nas normas de gênero e sexualidade impostas pela sociedade, punindo a não-conformidade com essas expectativas.
Quem a violência de gênero afeta?
A violência de gênero afeta principalmente mulheres, mas também atinge homens que não se encaixam em padrões de masculinidade, pessoas LGBTQIAPN+, e outros grupos marginalizados que desafiam as normas de gênero.