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O caso Damaris e a conta que sobra para as vítimas de violência

A história da Damaris me deixou abalada, e ela explica, em um caso só, tudo o que eu repito há cinco anos sobre violência, acolhimento e injustiça no Brasil.

Damaris foi vítima de um estupro. Ela contou ao namorado, que matou o estuprador. E foi ela quem acabou presa, acusada de ser cúmplice do assassinato. Passou seis anos atrás das grades pagando pelo crime do agressor e pelo crime do namorado. Dentro da prisão, desenvolveu um câncer e teve atendimento médico negado várias vezes. Em agosto, a Justiça reconheceu a inocência dela. Setenta e seis dias depois, ela morreu.

Por que esse caso importa tanto

Porque a violência, na maioria das vezes, não termina depois da violência. A Damaris recebeu quase tudo o que o Brasil costuma reservar para vítimas de violência sexual: revitimização, direitos básicos negados e uma justiça que chegou tarde demais. Não foi um azar isolado. É um padrão, e enquanto for tratado como exceção a gente não muda nada.

O que falta

Falta acolhimento. Acolhimento amplo, para toda a sociedade e principalmente para quem sobreviveu. A gente não vai reduzir as taxas de violência e de abuso sexual sem cuidar de quem foi vítima. Prevenção, proteção e acolhimento precisam andar juntos, e isso é responsabilidade do Estado de São Paulo e do Brasil.

Eu estou há cinco anos nessa luta e sigo nela. Se você quer fortalecer a causa por mais acolhimento em São Paulo, vem com a gente em rebecacristina.com.

Em resumo

Perguntas frequentes

Quem foi Damaris?
Uma mulher vítima de estupro que foi presa injustamente por seis anos, acusada de cumplicidade na morte do agressor, e morreu de câncer 76 dias após a Justiça reconhecer sua inocência.

Por que o caso virou símbolo?
Porque reúne tudo o que falha na proteção a vítimas no Brasil: revitimização, negação de direitos e uma justiça tardia.

O que esse caso ensina sobre políticas públicas?
Que prevenção e punição não bastam. Sem acolhimento amplo às sobreviventes, a violência continua mesmo depois do crime.