No mesmo dia, dois casos de violência brutal contra mulheres em Campinas: uma foi morta atropelada pelo ex-companheiro, a outra quase assassinada a tiros, também pelo ex. Dois casos, uma mesma raiz: a falta de uma rede de proteção que funcione de verdade.
Por que esses casos em Campinas não são exceção?
Eu sou Rebeca Cristina, ativista contra a violência de gênero e fundadora dos projetos Escola Sem Assédio e Carnaval Sem Assédio. E quando esses casos chegaram ao meu conhecimento, o que eu senti não foi surpresa. Senti a confirmação de algo que a gente vê crescer ano após ano aqui na região.
Esses casos não são episódios isolados. Eles fazem parte de uma escalada da violência contra mulheres em Campinas que não para. E a falta de estruturação de uma rede de proteção eficaz é um dos fatores centrais nesse aumento.
Acontece assim: a mulher está numa relação de violência. Ela tenta encontrar acolhimento, tenta pedir ajuda, mas não encontra suporte real. Não tem uma casa de acolhimento acessível, não tem um serviço próximo, não tem uma rede que segure esse momento. E aí a violência vai escalando, às vezes por meses, às vezes por anos. Até que chega no estágio final.
O feminicídio é o desfecho de um processo. E a ausência da rede é parte desse processo.
O que precisa mudar?
Precisamos de políticas públicas de proteção e acolhimento no estado de São Paulo. Isso significa casas de acolhimento acessíveis, serviços de saúde treinados para receber mulheres em situação de violência, delegacias que tratem as denúncias com seriedade, e um sistema que não abandone uma mulher depois que ela faz a denúncia.
Enquanto essa rede não for construída e ampliada de verdade, as notícias vão continuar chegando. E a gente não pode se acostumar com isso.
Se você quer fazer parte de um movimento que luta pela vida das mulheres, assine o abaixo-assinado por políticas de proteção e acolhimento no estado de São Paulo em rebecacristina.com.
Em resumo
- Dois casos de violência brutal contra mulheres ocorreram no mesmo dia em Campinas, ambos cometidos por ex-companheiros.
- A falta de rede de proteção eficaz é apontada como fator estrutural no aumento dos feminicídios na região.
- A violência escalada ao longo do tempo até o feminicídio é o padrão quando não há suporte real para as vítimas.
- A solução passa por políticas públicas concretas: acolhimento, saúde, delegacias preparadas e continuidade após a denúncia.
Perguntas frequentes
O que é uma rede de proteção para mulheres em situação de violência?
É o conjunto de serviços articulados, como delegacias especializadas, casas de acolhimento, serviços de saúde, apoio jurídico e assistência social, que garantem que a mulher não fique sozinha após pedir ajuda.
Por que muitas mulheres não conseguem sair da situação de violência?
As barreiras são múltiplas: medo, dependência financeira, vínculos familiares, falta de informação e, principalmente, ausência de uma rede de apoio concreta que torne a saída possível e segura.
Como posso contribuir com essa causa?
Assinando o abaixo-assinado por políticas de proteção e acolhimento no estado de São Paulo em rebecacristina.com e compartilhando essa discussão.