Política de proteção e acolhimento salva vida. Eu vi isso acontecer de perto, e é por isso que insisto tanto nesse assunto.
Recentemente acompanhei o caso de uma mulher aqui na região de Campinas. Ela estava num relacionamento em que sofria agressões e, para conseguir sair, precisou ir morar em outro estado. Foi a rede de proteção de São Paulo que conectou o atendimento dela com os equipamentos desse outro estado. Deu certo. Ela conseguiu deixar o marido que a agredia e recomeçar longe dali. Quando a estrutura funciona, é exatamente isso que acontece: uma mulher sai com vida.
Então está tudo resolvido?
Não. São Paulo tem hoje vários mecanismos de proteção à mulher, e eu reconheço isso. Mas tenho críticas sérias. A maior parte desses serviços está concentrada na Grande São Paulo. Quanto mais você caminha para o interior, menos informação existe, e muitos desses equipamentos vão simplesmente deixando de existir. Some a isso o sucateamento de quem deveria acolher.
E a verba?
2025 foi um ano de recordes de feminicídio. No mesmo ano, a verba da Secretaria de Mulheres do estado foi cortada em 90%. Não dá para falar em proteger a vida das mulheres e, ao mesmo tempo, esvaziar quem tem essa missão. Acolhimento não é gasto, é o que mantém mulheres vivas.
O que precisa mudar
A rede precisa sair da capital e chegar no interior de verdade, com informação clara sobre onde pedir ajuda e com equipamentos que funcionem o ano inteiro. É disso que eu falo quando digo que acolhimento salva vida. Não é discurso, é o que decide se uma mulher vai ou não conseguir sair.
Se você quer fortalecer essa luta por mais acolhimento em São Paulo, dá para somar com a gente em rebecacristina.com.
Em resumo
- A rede de proteção de São Paulo salva vidas quando está disponível, como no caso que acompanhei em Campinas.
- Os serviços estão concentrados na Grande São Paulo, e o interior fica desassistido.
- Em 2025, ano recorde de feminicídios, a verba da Secretaria de Mulheres foi cortada em 90%.
- A prioridade é interiorizar a rede, garantir informação e recuperar o financiamento.
Perguntas frequentes
A rede de proteção à mulher de São Paulo funciona?
Quando está disponível, sim, e ela salva vidas, como no caso que acompanhei em Campinas. O problema é o acesso desigual pelo estado.
Qual é o maior problema da rede no interior?
A concentração dos serviços na Grande São Paulo, a falta de informação e o sucateamento dos equipamentos.
O que aconteceu com a verba da Secretaria de Mulheres em 2025?
Foi cortada em 90%, no mesmo ano em que os feminicídios bateram recorde no estado.