Se Michelle Bolsonaro, uma das mulheres mais poderosas do país, foi assediada em público com dezenas de câmeras gravando, já parou pra pensar no que acontece com as mulheres que estão em situação de vulnerabilidade e não têm uma rede de apoio?
Isso é o que eu pergunto quando vejo esse caso. E a resposta dói.
Por que o assédio público de uma mulher poderosa deveria nos preocupar?
A Michele é hoje uma das maiores influências políticas do Brasil. Ser mulher conservadora, ter poder e visibilidade não impediu o agressor de agir. Esse vídeo não é sobre lado político, e eu deixo isso claro porque importa: da esquerda à direita, mulheres na política sofrem ataques. Todas são vítimas de violência em alguma instância, e na maioria das vezes é uma violência sexual.
O que isso nos diz é simples e brutal: os homens que agridem não enxergam o lado político das mulheres. Não importa se ela é rica ou pobre, famosa ou anônima, conservadora ou progressista. No Brasil, 80% das brasileiras relatam ter sofrido alguma forma de violência ao longo da vida. Somos um país que bate recorde de feminicídios ano após ano.
O que a violência estrutural tem a ver com isso?
Quando a gente olha para o que aconteceu com a Michele e pensa nas mulheres que estão em situação de vulnerabilidade, sem voz, sem rede de apoio, sem câmera nenhuma gravando, a dimensão do problema fica clara. Se quem tem proteção, recursos e visibilidade sofre assédio em público, o que está acontecendo nos lares, nas ruas e nos locais de trabalho com quem não tem nada disso?
Esse negacionismo sobre violência contra mulheres precisa ser rebatido com firmeza. Cada vez que alguém minimiza um caso porque a vítima “tinha recursos” ou porque “ela pediu”, a gente está normalizando o que não pode ser normal. Precisamos estar juntas e cobrar do Estado políticas concretas de proteção para todas as mulheres, independente de partido, classe ou visibilidade.
Em resumo
- Michelle Bolsonaro foi assediada em público, com câmeras presentes, o que mostra que nenhuma mulher está protegida automaticamente
- Mulheres da esquerda à direita sofrem violência na política brasileira
- 80% das brasileiras relatam ter sofrido alguma violência ao longo da vida
- A violência contra a mulher é estrutural e precisa de resposta coletiva e políticas públicas
Perguntas frequentes
Por que casos como o de Michelle Bolsonaro são importantes para o debate sobre violência?
Porque mostram que a violência de gênero não respeita posição política, classe social ou visibilidade. Quando uma mulher com todo esse poder é assediada publicamente, fica evidente que o problema é estrutural.
O que é violência estrutural contra a mulher?
É quando a violência não é um caso isolado, mas um padrão mantido por comportamentos, discursos e ausência de políticas públicas que deveriam proteger as mulheres. O Brasil bate recordes de feminicídio precisamente porque essa estrutura não foi desmontada.
Como posso apoiar o enfrentamento à violência contra mulheres em São Paulo?
Você pode assinar o abaixo-assinado por proteção das mulheres no estado de São Paulo em rebecacristina.com e compartilhar esse debate com quem está ao seu redor.