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Por que equilibrar a culpa é uma tática de abusadores: o que o caso do BBB nos ensina

A tentativa de “equilibrar a culpa” é uma tática clássica de quem praticou violência, e o que aconteceu no BBB escancarou esse padrão para milhões de pessoas ao mesmo tempo.

O que significa “equilibrar a culpa” após uma violência?

Logo depois de uma situação de assédio, frases como “aconteceu aquilo que não deveria ter acontecido”, “eu tava tentando me segurar”, “eu confundi as coisas” não são explicações honestas. São recursos para dividir a responsabilidade, para fazer a vítima sentir que de alguma forma contribuiu para o que aconteceu.

No caso em questão, Jordana estava no mesmo espaço que Pedro. Ela queria pegar um babyliss. Esse momento simples, cotidiano, que não carrega nenhum sinal de convite, se tornou o cenário de uma violência. E a narrativa que veio depois tentou transformar isso numa situação ambígua, quando não havia nenhuma ambiguidade.

Jordana nunca flertou com o Pedro. Não tinha confusão nenhuma.

Por que isso é perigoso além daquele caso específico?

Porque esse discurso é o que normaliza todo tipo de violência sexual. Quando uma mulher é vítima, a sociedade frequentemente a obriga a refazer cada passo antes da violência acontecer. Por que você estava com fulano? Por que foi a tal lugar? Por que usou aquela roupa? A gente fica remoendo uma culpa que não é nossa pra justificar o que aquele homem fez.

A verdade é que não tem justificativa. A partir do momento em que existem testemunhas, provas e registros do que aconteceu, a gente precisa parar de pedir a versão do agressor como se ela tivesse o mesmo peso que a da vítima. A violência aconteceu. A mulher foi vítima independente do contexto em que estava. E a justiça precisa ser feita.

Se assistir a uma cena de assédio ao vivo, com milhões de pessoas como testemunhas, ainda gera debate sobre “o que ela fez para isso acontecer”, a gente tem um problema cultural enorme para enfrentar.

Junte-se à luta em rebecacristina.com.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é culpabilização da vítima?
É o ato de atribuir à vítima de violência a responsabilidade pelo que sofreu, questionando sua roupa, comportamento ou presença no local. É uma forma de desviar o foco do agressor.

Como identificar a tática de “equilibrar a culpa” em um relato?
Frases como “aconteceu algo que não deveria”, “eu me confundi”, “fui mal interpretado” sem assumir responsabilidade direta são sinais de que o agressor está tentando dividir a culpa com a vítima.

O que fazer ao presenciar uma situação de assédio?
Ofereça apoio à vítima, registre o ocorrido se for seguro fazer isso, e ajude a encaminhar uma denúncia se a vítima quiser. Não minimize o que aconteceu nem tente “entender os dois lados” quando a situação for clara.