Organizar o Carnaval Sem Assédio me ensinou que a nossa luta não pode parar. Aqui estão as cinco coisas que ficaram mais nítidas pra mim depois dessa experiência.
O que a campanha revelou sobre onde ainda precisamos avançar?
A primeira lição é a mais dura: ainda temos muito pela frente na proteção e no acolhimento das mulheres. A experiência do Carnaval Sem Assédio não deixou dúvida sobre isso.
A segunda é sobre consentimento. Homens ainda têm muita dificuldade de entender o que essa palavra significa. Muitos ainda acham que festas como o carnaval são momentos que justificam a violência, como se a folia fosse uma licença para avançar sobre as mulheres. Não é. Nunca foi.
A terceira lição diz respeito à estrutura de acolhimento. A necessidade de ampliar os programas de acolhimento no carnaval ficou extremamente clara, e já é o nosso objetivo para 2027. Não basta dizer que a violência é errada; é preciso ter estrutura pra acolher quem foi violentada.
A quarta, e essa me tocou muito: mulheres jovens são as que estão mais vulneráveis. E muitas se sentem envergonhadas em pedir ajuda. Isso me diz que, além da estrutura física, precisamos trabalhar para que o pedido de socorro não seja tratado como fraqueza ou motivo de vergonha.
A quinta é uma que eu sempre quis reforçar: apesar de todos os riscos, as mulheres querem se divertir, prestigiar a cultura e serem felizes no carnaval. Garantir um carnaval seguro e acolhedor é garantir a liberdade de expressão, o direito de ir e vir e de ocupar espaços. Tirar isso das mulheres porque existe violência não é solução. A solução é combater a violência.
Por que o Carnaval Sem Assédio importa além do carnaval?
Porque o assédio no carnaval não é uma exceção. É a mesma violência que acontece nas ruas, no transporte público, no trabalho, em casa. O carnaval só torna mais visível o que já existe no cotidiano. Quando a gente enfrenta isso no carnaval, está treinando a sociedade a enfrentar em todos os espaços.
A campanha existe desde 2024 e cresce a cada ano. Cada edição reforça a necessidade do que já fazemos e aponta novos caminhos. E a gente segue por todas.
Em resumo
- Ainda há muito a avançar na proteção e no acolhimento das mulheres durante o carnaval
- A educação sobre consentimento continua sendo um desafio urgente, especialmente entre homens
- A ampliação dos programas de acolhimento no carnaval é objetivo para 2027
- Mulheres jovens são as mais vulneráveis e frequentemente sentem vergonha de pedir ajuda
Perguntas frequentes
O que é o Carnaval Sem Assédio?
É uma campanha criada em Campinas (SP) em 2024, que combina prevenção à violência sexual e acolhimento para mulheres que sofrem assédio ou violência durante as festas de carnaval.
Como as mulheres podem buscar acolhimento no carnaval?
A campanha disponibiliza tendas de acolhimento com voluntários treinados, parceria com a Polícia Civil e suporte jurídico para quem precisar. As informações sobre localização são divulgadas antes de cada edição.
O que é consentimento e por que é tão difícil de ser entendido?
Consentimento é a concordância livre, informada e entusiástica de uma pessoa para qualquer tipo de contato físico. A dificuldade de compreensão está ligada a uma cultura que ainda normaliza a ideia de que “não” pode significar “talvez” em determinados contextos, o que é falso.