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O assédio no Carnaval não é culpa da folia: é a violência cotidiana sem freio

Ao contrário do que muitos pensam, o assédio no Carnaval não acontece por causa da folia, e muito menos por culpa da vítima. Vivemos num sistema que normaliza a violência e usa os momentos de aglomeração como desculpa para o que já estava lá o tempo todo.

Por que o Carnaval expõe o assédio que já existe?

Uma das falas que coletamos durante o Carnaval resume bem isso: “Todos os dias existem mais do que o limite de pessoas assediando mulheres. Mas pelo fato do carnaval ser um momento que a gente se sente mais livre para usar roupas que usaria na praia, dentro da cidade, as pessoas acham que é ok flertar de uma forma muito ignorante.”

Isso diz muito. O Carnaval não cria o assédio. Ele só torna mais visível o que já existe na rotina. A mulher que usa uma saia mais curta num dia comum também é assediada. A mulher que vai ao trabalho de terno também é assediada. Parece que nunca é a roupa certa, nunca é o comportamento certo. E isso revela que o problema não é a roupa nem o comportamento: é a cultura que trata o corpo da mulher como espaço público.

O que precisa mudar?

Precisa de consciência. Consciência de que a liberdade de uma pessoa termina onde começa a do outro. Que aproveitar o Carnaval não dá direito sobre o corpo de ninguém. Que a falta de um “não” explícito não é um “sim”.

Mulheres femininas são assediadas. Mulheres menos femininas também são assediadas. De formas diferentes, mas assediadas. Isso não é acidente: é o resultado de uma falta de tolerância que existe na rotina e que no Carnaval fica um pouco pior.

A resposta não é deixar de ir ao Carnaval. A resposta é construir uma cultura de respeito, dentro e fora da folia.

Em resumo

Perguntas frequentes

O assédio no Carnaval é diferente do assédio no dia a dia?
Na essência, não. O que muda é o contexto: a aglomeração, o álcool e a ideia de “liberdade da folia” reduzem a inibição de quem já tinha atitudes de violência no cotidiano.

A roupa da mulher influencia o assédio?
Não. Mulheres são assediadas independentemente de como se vestem. A roupa não é causa, nem justificativa.

Como reagir se for assediada no Carnaval?
Se for seguro, rejeite verbalmente e de forma clara. Procure pessoas próximas. Vá ao espaço de acolhimento do Carnaval Sem Assédio na Av. Santa Isabel, 404, Barão Geraldo, ou acione a Polícia Militar.