Os relatos da família de uma vítima de feminicídio aqui em Campinas mostram uma realidade dura: décadas de violência que não foram interrompidas a tempo. O agressor não ataca apenas o corpo. Ele mina a autoconfiança e isola a vítima de quem a ama.
O que os padrões do caso revelam sobre o feminicídio?
Rita de Cássia, de 48 anos, convivia com o principal suspeito do crime há 30 anos. Segundo o relato da irmã, as agressões eram recorrentes e tinham aumentado nos últimos anos. Segundo os relatos, ambos eram dependentes químicos, o que torna ainda mais difícil para a vítima se afastar do agressor.
Em quase todos os casos de feminicídio, a vítima já tinha sofrido violência antes do crime acontecer. No caso da Rita, infelizmente, é exatamente isso: 30 anos de ciclo que não foi interrompido. Mas diferente de muitas mulheres, uma denúncia já tinha acontecido. A Rita havia passado por atendimento num equipamento público para mulheres. O que aconteceu depois, se ela desistiu do processo, se voltou para o agressor, são detalhes que as investigações precisam esclarecer. Mas o fato é: às vezes, chegar ao equipamento não é suficiente.
O que precisa mudar?
Para acabar com os feminicídios, a gente precisa olhar para a questão da impunidade: muitos homens continuam porque têm a sensação de que podem fazer isso livremente. Mas é preciso, principalmente, cuidar da saúde mental da população.
Uma mulher só vai conseguir sair do ciclo de violência se entender que aquilo não é normal. Que aquilo não é amor. Que um ciúme obsessivo não é amor. Que manter alguém presa à base de drogas não é amor. E o mesmo vale para os homens: entender que violência não é demonstração de afeto.
O objetivo não é só punir o feminicida. É evitar que o feminicida exista.
Deixo aqui meus mais profundos sentimentos à família da Rita de Cássia. E convido você a assinar o abaixo-assinado pela Vida e Proteção das Mulheres no Estado de São Paulo, disponível em rebecacristina.com.
Em resumo
- Rita de Cássia, de 48 anos, foi morta em Campinas após 30 anos de violência doméstica
- A dependência química é fator que dificulta o afastamento da vítima do agressor
- O feminicídio é a escalada de um ciclo que começa antes: agressões recorrentes que não recebem resposta adequada
- A prevenção passa por cuidado com saúde mental e mudança cultural, não só punição
Perguntas frequentes
O que é o ciclo de violência doméstica?
É um padrão em que períodos de tensão, explosão de violência e reconciliação se repetem, dificultando a saída da vítima. Fatores como dependência emocional, dependência química e isolamento social agravam o ciclo.
Por que mulheres em situação de violência não se afastam do agressor?
As razões são múltiplas: dependência emocional e financeira, ameaças, filhos, dependência química, isolamento de amigos e família. Não é falta de coragem. É o resultado de um processo de controle e destruição da autoconfiança.
Como apoiar mulheres em situação de violência doméstica?
Sem julgamentos, sem “por que você não foi embora?”. Ofereça suporte, escute, informe sobre os equipamentos disponíveis. O canal de denúncia e orientação é o Disque 180.