Integrantes do MBL que não estudam na Unicamp foram até a universidade durante a calorada, no primeiro dia do ano letivo, e agrediram estudantes. Não vamos aceitar. E a universidade precisa ter uma resposta institucional à altura do que aconteceu.
O que aconteceu na Unicamp?
A calorada é o momento de receber os novos alunos. É um dia simbólico, de festa e de acolhimento. Membros do MBL aproveitaram exatamente esse momento para ir à Unicamp, pessoas que não são estudantes da universidade, e agredir alunos.
O alvo não foi aleatório. O Instituto de Ciências Humanas e os estudantes trans da Unicamp foram os alvos. Esse não é o primeiro ataque. A universidade vem recebendo esses ataques há mais de um ano.
E esse ano tem um significado adicional: é o primeiro ano em que chegam os alunos aprovados pelas cotas trans, uma conquista que veio das greves estudantis, de três anos de luta. No primeiro dia desses alunos na universidade, o MBL aparece para atacá-los.
O que a Unicamp precisa fazer?
A postura institucional precisa mudar. Os movimentos estudantis e a comunidade acadêmica repudiam o que acontece, mas o repúdio da comunidade não é suficiente. A universidade precisa ter ação.
Esse tipo de ataque precisa ir ao Ministério Público. Precisa ter investigação, precisa ter consequência. Não dá pra continuar recebendo esses ataques há mais de um ano sem que o poder institucional da Unicamp responda de forma mais ostensiva.
A universidade pública precisa ser um espaço seguro para todos os seus estudantes. Especialmente para aqueles que já chegam com histórias de exclusão, de luta, de resistência.
Em resumo
- Integrantes do MBL que não estudam na Unicamp agrediram estudantes durante a calorada, no primeiro dia letivo
- Os alvos foram o Instituto de Ciências Humanas e estudantes trans
- É o primeiro ano em que chegam estudantes aprovados pelas cotas trans na Unicamp, uma conquista de greves estudantis
- A Unicamp precisa levar o caso ao Ministério Público e adotar postura institucional mais firme de proteção aos seus alunos
Perguntas frequentes
Quem é o MBL?
Movimento Brasil Livre, um movimento político conservador com presença em partidos e nas redes sociais, que frequentemente protagoniza confrontos em universidades públicas.
O que são as cotas trans na Unicamp?
São vagas reservadas para pessoas trans nos cursos de graduação da Unicamp, uma conquista do movimento estudantil após greves ocorridas há três anos.
O que pode ser feito contra quem agride estudantes dentro de uma universidade?
A agressão física configura crime. A ocorrência deve ser registrada na polícia e o caso encaminhado ao Ministério Público para investigação e responsabilização dos agressores.