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Feminicídio em São Paulo: por que as redes de proteção precisam funcionar antes do crime acontecer

A maioria das mulheres que são vítimas de feminicídio já passou por outros tipos de violência antes disso. Violência doméstica, violência sexual, violência psicológica. Todas podem ser violências que antecedem o feminicídio. E se a rede de proteção não funciona para acolher essas mulheres a tempo, muitas acabam voltando para perto do agressor, até que ele se torne um feminicida.

Por que as redes de proteção são fundamentais para evitar o feminicídio?

Porque o feminicídio raramente é o primeiro ato de violência. Ele é o último de uma série. E em cada etapa dessa série, existe uma janela de intervenção, um momento em que a rede poderia ter agido: a delegacia da mulher, a Casa da Mulher Brasileira, o CRAS, o CREAS, o serviço de saúde, o Ministério Público.

Quando essas portas não estão abertas, quando a mulher chega e não é atendida, ou é mandada de volta pra casa sem encaminhamento adequado, ela fica ainda mais próxima do agressor. E esse ciclo, quando não é interrompido, termina em morte.

Em São Paulo, essa rede está sucateada. É preciso dizer isso com clareza. Enquanto os índices de feminicídio batem recordes, os equipamentos de proteção às mulheres precisam de mais estrutura, mais investimento e mais presença nos territórios.

Punição e prevenção precisam andar juntas?

Sim, e eu defendo as duas. Agressores e feminicidas precisam de punições duras. Penas que reflitam a gravidade do crime. Mas a punição sozinha não resolve. Se a gente tem tantos homens sendo presos por feminicídio, é porque a gente tem mulheres mortas. E as mulheres mortas não voltam.

A gente precisa operar em rede para evitar que o crime aconteça. Isso significa investir em prevenção, em educação, em acolhimento, em políticas que cheguem até a mulher antes que a situação se torne irreversível.

Homens que cometem feminicídio não devem sair impunes. Mas nenhuma mulher deveria precisar chegar a esse ponto. É por isso que a prevenção vem antes.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é a rede de proteção às mulheres?
É o conjunto de serviços públicos destinados a acolher, orientar e proteger mulheres em situação de violência, incluindo delegacias especializadas, Casas da Mulher Brasileira, centros de referência (CRAS/CREAS), abrigos e serviços de saúde.

Por que a rede de proteção em São Paulo está sucateada?
Falta de investimento, equipamentos insuficientes para a demanda e ausência de serviços em territórios periféricos são problemas identificados na rede de atendimento às mulheres vítimas de violência no estado.

O que pode ser feito para reduzir o feminicídio?
Investir em redes de acolhimento que funcionem, ampliar a educação sobre violência de gênero, garantir que os agressores sejam responsabilizados e criar mecanismos de prevenção que alcancem as mulheres antes que a situação chegue ao extremo.