Eu tenho o hábito de caminhar a pé e usar o transporte público em Campinas. Gosto do centro. Mas está ficando inconcebível ser mulher e caminhar sozinha por lá. E eu preciso falar sobre isso.
O que eu vivi no centro de Campinas?
Estava descendo a 13 de Maio e entrei na Rua da Escada sem esperar o que ia encontrar. Ali, eram quase quatro da tarde, a maioria das lojas fechadas, e uns dez homens deitados na calçada. Entrei na rua sem esperar por aquilo, e misturou tudo: arrependimento, medo, aquela sensação de “o que eu faço agora?”.
Depois, já chegando ao Terminal Mercado pelo José Paulino, outro grupo de homens deitados na calçada. E o que eu senti foi o que milhares de mulheres sentem todo dia quando tentam circular pela cidade: a cidade não foi pensada para que a gente se sinta segura.
Isso vai além de ser ou não ser situação de rua. Já é muito grave que essas pessoas estejam nessa condição. Mas é inconcebível que uma mulher precise calcular cada rua que vai entrar às quatro da tarde no centro da sua própria cidade.
Por que a revitalização do centro não é só estética?
Porque quando as lojas fecham, quando o espaço público fica sem movimento, sem iluminação adequada, sem circulação, ele se torna perigoso para quem é mais vulnerável. E as mulheres que caminham sozinhas estão entre as mais vulneráveis nesses espaços.
A forma como a gente ocupa a cidade diz muito sobre o que a cidade valoriza. Revitalização é uma questão de proteção à integridade das pessoas, não de embelezamento de fachadas. A gente precisa cobrar que essas medidas sejam tomadas com essa perspectiva.
O que precisa mudar?
Diálogo sério entre poder público e comunidade sobre a situação do centro. Políticas de proteção às pessoas em situação de rua. Iluminação, circulação, presença de serviços públicos funcionando. E uma política de mobilidade que não deixe mulheres reféns da insegurança para acessar o transporte público.
Até quando?
Em resumo
- Rebeca relata o medo e o desconforto de caminhar sozinha no centro de Campinas, às quatro da tarde
- A situação envolve lojas fechadas, espaço público degradado e falta de movimento
- A crítica é estrutural: revitalização urbana não é estética, é proteção à integridade das pessoas
- A demanda é por diálogo entre poder público e comunidade e por medidas concretas de segurança
Perguntas frequentes
Por que o centro de Campinas preocupa as mulheres?
A combinação de lojas fechadas, espaço público degradado e pouca circulação cria ambientes que aumentam a sensação e o risco real de insegurança, especialmente para mulheres que circulam sozinhas.
Revitalização urbana tem a ver com segurança?
Sim. Espaços públicos bem iluminados, com movimento de pessoas e serviços ativos, são mais seguros. A degradação urbana e o abandono do espaço público aumentam a vulnerabilidade de quem o usa.
O que a Rebeca propõe?
Ela pede diálogo com o poder público, políticas para o centro que combinem cuidado com a população em situação de rua e segurança urbana, e uma perspectiva de gênero nas decisões de mobilidade e revitalização.