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Rebeca Cristina: desumanização das mulheres na internet alimenta a violência física

Em entrevista à Rádio Valinhos FM falei sobre algo que precisa ser dito com mais clareza: a desumanização das mulheres por meio de discursos violentos na internet está colaborando diretamente com o aumento das violências fora dela.

O que é a desumanização das mulheres e como ela acontece?

Quando eu falo em desumanização, estou falando da forma como as mulheres são tratadas nos espaços virtuais, nos comentários sobre os seus corpos, sobre a sua vivência, sobre o que acontece com elas depois que são agredidas ou mortas. Esses comentários, que normalizam a violência e culpam as vítimas, são uma forma de apagar a humanidade dessas mulheres.

E não é só nos comentários. A inteligência artificial tem sido usada para criar deepfakes, ou seja, vídeos e imagens falsas usando o rosto de mulheres para colocá-las em situações que elas nunca estiveram, especialmente conteúdos sexuais sem o consentimento delas. Isso é uma violência. Deixa marcas profundas e normaliza ainda mais o tratamento das mulheres como objetos.

Por que a violência virtual precisa ser levada a sério?

O que acontece na internet não fica só na internet. Existe uma onda crescente onde está havendo uma raiva canalizada, principalmente entre homens jovens, que se expressa nos comentários, nos grupos, nos conteúdos que circulam. Esse ódio, quando normalizado no ambiente virtual, alimenta o que acontece no mundo físico.

A gente vê os números do feminicídio aumentarem. A gente vê casos de estupro onde os agressores comemoram e debanam publicamente, sem constrangimento. Isso não surge do nada. Surge de um ambiente que foi construído para desumanizar as mulheres e para glorificar quem as viola.

O que precisa mudar?

Para além das políticas de proteção e acolhimento às mulheres, precisamos criminalizar a misoginia. O ódio contra as mulheres, organizado em movimentos como o Red Pill e outros semelhantes, recruta homens jovens para cometem crimes e normaliza a violência como resposta à simples existência das mulheres.

As redes sociais lucram com esse discurso de ódio. Elas permitem que esse conteúdo circule e cresça. Enquanto isso não for tratado como o que é, um crime, não como “liberdade de expressão”, as mulheres continuarão sendo as que pagam o preço mais alto.

Humanizar essa luta significa se colocar no lugar das mulheres vítimas, das famílias delas, dos filhos delas. Não como exercício abstrato, mas como posição política e moral.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é deepfake e por que é uma violência contra as mulheres?
Deepfake é uma tecnologia que usa inteligência artificial para criar imagens e vídeos falsos com o rosto de pessoas reais. Quando usada para criar conteúdos sexuais sem o consentimento da pessoa, é uma forma de violência digital que causa dano real e normaliza o tratamento das mulheres como objetos.

O que é o movimento Red Pill?
É um movimento de ódio às mulheres, difundido principalmente na internet, que prega ideias misóginas e influencia homens, especialmente jovens, a enxergarem as mulheres como inimigas ou como alvos.

Por que a misoginia deve ser criminalizada?
Porque o ódio organizado contra as mulheres, quando normalizado e incentivado, colabora diretamente com o aumento da violência de gênero, do assédio e do feminicídio. Tratar a misoginia como crime é uma forma de responsabilizar quem alimenta essa cultura.