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O assédio nas escolas não é normal: Rebeca Cristina reforça a luta no congresso da UBES

O assédio nas escolas é uma realidade que a gente não aceita mais, e o congresso da UBES mostrou que essa pauta segue urgente e viva entre as estudantes de todo o país.

Por que o assédio escolar precisa ser uma prioridade?

Desde os meus 15 anos estou nessa luta. Quando ainda estava no ensino médio, fundei o Escola Sem Assédio porque eu via o que acontecia ao redor: meninas que sofriam dentro das salas de aula e não conseguiam contar pra ninguém, porque quando chegavam à gestão, às vezes eram ignoradas, às vezes eram desacreditadas. “Ele só está brincando.” “Você está exagerando.”

No congresso da UBES, muitas meninas vieram com a mesma pauta. E o que elas relataram não é diferente do que eu ouvi anos atrás. Elas se sentem coagidas, principalmente quando o assediador é um professor ou alguém em posição de autoridade. O medo de falar é real, e quando falam, o sistema muitas vezes falha em acolher.

O que está impedindo as escolas de resolver esse problema?

Há um absurdo que precisa ser nomeado com clareza: você é obrigada a sentar na carteira, cumprir a frequência, estudar naquele ambiente, e ninguém garante que você vai estar segura enquanto faz isso. Receber olhares, toques que você não quer, comentários que humilham. Isso prejudica o aprendizado, prejudica o convívio entre os estudantes e o corpo docente, e faz com que meninas carreguem um peso que não é delas.

Uma parte do problema está na normalização. A sociedade tem tratado o assédio como algo corriqueiro, e os próprios professores e diretores às vezes se colocam como se fossem mais poderosos do que são, intimidando as alunas para que silenciem. Isso precisa acabar.

O Movimento de Mulheres Olga Benário tem feito o projeto Olga nas Escolas, levando essa conversa para vários estados do país. As estudantes têm se mobilizado para expulsar professores e estudantes assediadores. A maioria das vítimas de violência sexual são meninas, e boa parte dessa violência acontece dentro dos espaços que deveriam ser de aprendizado e segurança.

A luta é coletiva, e a nossa voz é o que transforma. A gente não vai parar até que cada sala de aula seja um espaço livre de medo e opressão.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é o Escola Sem Assédio?
É um projeto fundado por Rebeca Cristina quando ainda estava no ensino médio, voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência sexual dentro das escolas.

O que acontece quando uma aluna denuncia assédio na escola?
Segundo os relatos que chegam ao Escola Sem Assédio e foram compartilhados no congresso da UBES, muitas meninas são ignoradas ou desacreditadas pela gestão escolar, o que agrava o silêncio em torno do problema.

Como a UBES está envolvida nessa pauta?
No congresso da UBES, estudantes secundaristas de todo o país levaram o tema do assédio escolar como uma das pautas centrais, reforçando que a mobilização coletiva é fundamental para mudar esse cenário.