A realidade de quem depende do ônibus em Campinas não é fácil. Atrasos, superlotação, veículos quebrando no meio do caminho: quem mais sofre com isso são as mulheres e os jovens que precisam se deslocar todos os dias para trabalhar e estudar. E quando a Câmara vota uma prorrogação do contrato com as empresas atuais, sem que as mudanças prometidas tenham chegado, a indignação é legítima.
Por que não concordo com a prorrogação de dois anos no contrato do transporte de Campinas?
Quando o edital de licitação saiu, eu apoiei. O edital previa um prazo de um ano para que as empresas fizessem as mudanças necessárias na frota. Era um compromisso claro com a melhoria do serviço. O problema é que quando a Câmara votou a prorrogação de dois anos, o que aconteceu foi exatamente o oposto disso: adiar o que já estava atrasado, manter um serviço que não entrega o que foi prometido e continuar na mão das mesmas empresas que priorizaram o lucro em vez da necessidade das pessoas.
Eu mesma passei por isso no último ano. Uso ônibus para ir à faculdade e usava para ir ao estágio. Ônibus superlotado, ônibus quebrando no meio do caminho. Isso não é exceção, é o cotidiano de muitas pessoas em Campinas. E é o cotidiano de quem não tem outra opção.
Qual seria o caminho para o transporte público de qualidade em Campinas?
No médio prazo, Campinas precisa começar a discutir a criação de uma empresa pública de transporte. Não estou dizendo que isso resolve o problema de amanhã, mas é um caminho que tira a cidade da dependência de empresas bilionárias que fazem transporte público como negócio de lucro, e não como serviço essencial para a população.
O transporte público interfere diretamente na vida das mulheres e da juventude. São eles a maioria dos passageiros. São eles os que mais reclamam, os que mais sofrem com a falha no serviço. Qualquer política séria de transporte precisa partir dessa realidade.
Em resumo
- Rebeca Cristina criticou a prorrogação de dois anos no contrato do transporte público de Campinas aprovada pela Câmara Municipal
- O edital de licitação previa um ano para mudanças na frota, prazo que não foi cumprido pelas empresas
- Mulheres e jovens são os que mais dependem e mais sofrem com o transporte precário na cidade
- A criação de uma empresa pública de transporte é apontada como caminho para o médio prazo
Perguntas frequentes
O que é a licitação do transporte público de Campinas?
É o processo de contratação pública que definiu quais empresas operam as linhas de ônibus da cidade, com exigências de melhoria de frota e serviço. O edital inicial incluía prazo de um ano para modernização.
Por que uma empresa pública de transporte seria diferente?
Uma empresa pública gerida pelo município priorizaria a prestação do serviço como finalidade, e não o lucro. Isso pode resultar em decisões mais alinhadas com as necessidades reais dos passageiros, especialmente os mais vulneráveis.
Como acompanhar e cobrar o transporte público de Campinas?
Você pode registrar reclamações no sistema da Prefeitura de Campinas, acompanhar as votações na Câmara Municipal e acompanhar as atualizações pelo perfil @rebecacristinasp, que monitora e debate esse tema.