A notícia da morte de Nájylla, assassinada pelo próprio marido poucas horas após o casamento aqui no DIC 4, em Campinas, nos atinge com uma dor profunda e uma indignação necessária.
O que aconteceu com Nájylla?
Nájylla foi assassinada pelo marido poucas horas depois de se casar. Ela deixou três filhos. Segundo o que foi apurado, ela havia conversado com uma amiga sobre o casamento, que era um dos seus sonhos, e chegou a manifestar receio justamente por causa do relacionamento conturbado com esse homem.
O assassino, Daniel Barbosa, é guarda municipal em Campinas. Ele já está preso, mas isso não traz Nájylla de volta.
Não conseguimos proteger a vida dela. E isso precisa ser dito com toda a clareza que merece.
Por que o feminicídio continua aumentando mesmo com programas de proteção?
Esse caso traz uma discussão que me pesa muito. Campinas tem programas de acolhimento às mulheres. A própria guarda municipal tem programas voltados à proteção feminina. Mas infelizmente, às vezes nem os próprios homens que trabalham nesses espaços são alcançados por esses programas.
O problema é que a violência contra a mulher é muito mais profunda do que a ocupação do agressor ou do cargo que ele ocupa. É sobre cultura: sobre o entendimento que esse homem tem das mulheres, sobre a ideia de posse e de controle que ele carrega desde sempre. Um programa de acolhimento não transforma isso da noite para o dia. E é por isso que o trabalho de prevenção e educação precisa ser constante, estrutural, e começa muito antes da violência acontecer.
O caso de Nájylla evidencia que a violência contra a mulher vai muito além do status social ou da profissão do agressor. Ser guarda municipal não impediu o crime. Ter programas na cidade não impediu o crime.
O que mulheres em situação de violência podem fazer?
Se você está passando por alguma situação de violência, não espere. Campinas tem duas delegacias de mulheres, uma delas funcionando 24 horas, além de outros programas de acolhimento e proteção que qualquer mulher pode acessar a qualquer momento.
Não importa o que seu agressor faz da vida. Você precisa fazer a denúncia por você, para salvar a sua vida, para continuar com a sua família. Se você precisar de apoio para encaminhar uma denúncia, pode entrar em contato comigo pelo rebecacristina.com. Já ajudei várias mulheres nesse processo e estou à disposição.
Deixo aqui os meus mais profundos sentimentos para toda a família e amigos de Nájylla, especialmente para os três filhos que perderam essa mãe.
Em resumo
- Nájylla foi assassinada pelo marido, guarda municipal Daniel Barbosa, poucas horas após o casamento no DIC 4, em Campinas
- Ela deixou três filhos e sonhava com o casamento, mas temia o relacionamento conturbado
- O caso expõe o caráter estrutural e cultural do feminicídio, que vai além da profissão ou status do agressor
- Campinas tem duas delegacias da mulher (uma 24h) e outros programas de acolhimento acessíveis a qualquer momento
Perguntas frequentes
Onde uma mulher em situação de violência pode buscar ajuda em Campinas?
Campinas tem duas delegacias especializadas em crimes contra a mulher, uma delas com atendimento 24 horas, além de outros equipamentos públicos de acolhimento.
Qual é o número para denunciar violência doméstica?
O Ligue 180 é o canal nacional de atendimento à mulher em situação de violência, disponível 24 horas por dia. O Disque 100 atende denúncias de violações de direitos humanos.
Por que o feminicídio continua crescendo mesmo com leis de proteção?
Porque o problema é estrutural e cultural: envolve o entendimento machista sobre o papel das mulheres nas relações. Leis e programas são necessários, mas precisam ser acompanhados de educação e transformação cultural contínua.