Campinas tem uma das maiores frotas de ônibus do interior paulista, mas também um dos maiores índices de reclamação por atrasos e superlotação. Para quem depende do transporte público para trabalhar, atrasar o ônibus não é inconveniente — é perda de renda, emprego e dignidade.
Quem usa o ônibus em Campinas
Segundo o Plano de Mobilidade Urbana de Campinas (PlanMob, 2021), cerca de 600 mil viagens são realizadas por dia no sistema de transporte coletivo da cidade. A maioria dos usuários é composta por mulheres, trabalhadores de baixa renda e moradores de bairros periféricos — exatamente as pessoas com menos alternativas de deslocamento.
Pesquisa do Instituto Locomotiva (2022) aponta que usuárias mulheres de transporte público relatam, com frequência duas vezes maior que os homens, situações de assédio nos pontos de ônibus e dentro dos veículos. A insegurança não é só operacional — é de gênero.
Bairros que a rede não alcança bem
Regiões como Campo Grande, DIC e partes do Jardim Itatinga têm cobertura de transporte abaixo da média da cidade, com intervalos que chegam a 40 minutos nos horários de pico e praticamente nenhum serviço depois das 22h. Isso isola comunidades, limita acesso à saúde e dificulta a vida de quem trabalha à noite.
O que pode mudar com vontade política
Rebeca Cristina defende três prioridades concretas para mobilidade em Campinas:
- Mapeamento participativo dos pontos sem iluminação e cobertura, com escuta direta das moradoras
- Extensão do horário noturno em linhas que atendem trabalhadores do turno da noite
- Câmeras e iluminação nos terminais como medida de segurança para mulheres
Transporte público de qualidade é uma pauta feminista. Quando o ônibus não vem, quem paga a conta é sempre a mesma pessoa.
Fontes: PlanMob Campinas 2021, Instituto Locomotiva 2022, Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC).