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Assédio escolar em Campinas: por que o problema é maior do que parece

Uma em cada três crianças já sofreu bullying no Brasil. Em Campinas, protocolos são insuficientes e o assédio de gênero segue subnotificado nas escolas municipais.

Uma em cada três crianças brasileiras já sofreu alguma forma de bullying na escola, segundo pesquisa do Instituto Península (2023). Em Campinas, com mais de 200 escolas municipais e estaduais, o volume de casos subnotificados é significativo — e as consequências vão muito além da sala de aula.

O problema vai além das brigas de pátio

O assédio escolar inclui violência física, verbal, psicológica e, cada vez mais, o cyberbullying — modalidade que acompanha o aluno para fora da escola e não para quando o sinal toca. Dados do Programa de Pesquisa em Violência Escolar da Unicamp — instalada em Campinas — mostram que estudantes em situação de bullying têm 3 vezes mais risco de desenvolver ansiedade e depressão.

Entre meninas, o assédio frequentemente tem recorte de gênero: comentários sobre o corpo, constrangimentos sexuais e exclusão social são formas que seguem invisíveis nos registros oficiais porque as vítimas não se sentem seguras para denunciar.

O que a lei diz — e o que a escola pratica

A Lei 13.185/2015 institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying) em todo o território nacional e obriga escolas a implementar ações de prevenção, capacitação de professores e canais de denúncia. Na prática, muitas escolas de Campinas ainda não têm protocolos claros de ação quando um caso é identificado.

Escolas seguras como prioridade legislativa

Rebeca Cristina defende que escolas seguras não são luxo, são direito. Sua agenda para educação inclui a criação de um protocolo municipal unificado de resposta ao bullying, formação continuada para educadores e a implantação de espaços de escuta segura nas escolas — especialmente para meninas e jovens LGBTQIA+.

O diálogo com estudantes nos projetos como o Diálogos Escolares mostrou que os jovens querem falar. O que falta é estrutura para ouvi-los de forma segura e consequente.

Fontes: Instituto Península 2023, Lei Federal 13.185/2015, Unicamp — Programa de Pesquisa em Violência Escolar.