“Falar sobre assédio é mimimi.” Essa frase, infelizmente, ainda ecoa por aí, deslegitimando a dor e a experiência de milhares de pessoas. Mas eu estou aqui para dizer, com a força de quem vive essa luta todos os dias, que não é mimimi. É uma realidade cruel que atinge a juventude de forma avassaladora.
Em uma das minhas falas, como vocês podem ver, eu trouxe um dado que precisa nos fazer refletir: jovens são 70% das vítimas de violência sexual. Setenta por cento! Isso não é um número qualquer. É a prova de que a violência sexual não é um problema isolado, e muito menos algo que se possa ignorar. É um grito de socorro que a gente precisa ouvir e acolher.
Por que é tão difícil denunciar o assédio e a violência sexual?
A verdade é que muitas vítimas só conseguem denunciar depois de muito tempo, depois de entenderem o que realmente estavam passando. O assédio e a violência sexual são complexos, muitas vezes disfarçados, e podem deixar marcas profundas que dificultam o reconhecimento e a denúncia imediata. A vergonha, o medo e a culpa, que nunca deveriam ser da vítima, são sentimentos paralisantes.
É por isso que projetos como a Escola Sem Assédio, que eu tive a honra de fundar, são tão importantes. A gente precisa levar informação para dentro das escolas, para dentro das comunidades, para que crianças e adolescentes saibam identificar o que é assédio, o que é violência, e quem procurar para pedir ajuda. É fundamental que eles entendam que não estão sozinhos e que a culpa não é deles.
Quebrar o silêncio é o primeiro passo para destruir as correntes criadas por essa violência. É um ato de coragem, um caminho que se abre para a cura e para a justiça. E para que esse caminho seja possível, precisamos construir redes de proteção sólidas, com acolhimento, escuta qualificada e profissionais preparados.
A luta contra a violência sexual, especialmente a que atinge nossos jovens, é uma responsabilidade de todos nós. Não podemos fechar os olhos, não podemos aceitar o “mimimi” como resposta. Precisamos agir, informar, proteger e dar voz a quem foi silenciado.
Em resumo
- A frase “falar sobre assédio é mimimi” deslegitima a violência sexual.
- Jovens representam 70% das vítimas de violência sexual.
- Muitas vítimas demoram a denunciar por não entenderem o que vivenciaram.
- Quebrar o silêncio é crucial para o processo de cura e justiça.
- A Escola Sem Assédio é um exemplo de iniciativa que busca informar e proteger.
Perguntas frequentes
O que é assédio sexual?
Assédio sexual é qualquer conduta de natureza sexual indesejada, verbal ou física, que cause constrangimento, intimidação ou humilhação, e que afete a dignidade da pessoa.
Por que os jovens são tão vulneráveis ao assédio?
A vulnerabilidade dos jovens pode estar ligada à falta de informação, imaturidade emocional, pressões sociais, e a uma cultura que muitas vezes normaliza comportamentos abusivos ou desqualifica suas experiências.
Como posso ajudar uma vítima de assédio?
Ofereça escuta sem julgamento, acredite na sua história, incentive a busca por ajuda profissional (psicólogos, advogados) e denúncia (polícia, conselhos tutelares), e reforce que a culpa não é dela.
Onde denunciar casos de assédio sexual?
As denúncias podem ser feitas na Polícia Civil, Ministério Público, Conselhos Tutelares (para crianças e adolescentes), ou por meio de canais como o Disque 100 ou o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).