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Por que Campinas precisa ser mais acolhedora para a juventude?

Meu maior sonho é ver Campinas se tornar uma cidade verdadeiramente acolhedora para os jovens. Eu vejo que Campinas tem muitas oportunidades, mas infelizmente elas não chegam para a juventude da escola pública e da periferia. Eu sei disso porque eu vivo e já passei por essas situações, e é urgente que a gente mude essa realidade se queremos uma cidade desenvolvida e justa para todos.

Por que as oportunidades de Campinas não chegam a todos os jovens?

É um problema que me incomoda muito: Campinas é uma cidade com uma importância histórica e um desenvolvimento que se deve muito à população jovem, mas as oportunidades não são iguais para todo mundo. Pego sempre o exemplo da Unicamp, uma universidade de ponta que está aqui, na nossa cidade. Mas a gente precisa refletir: por que o jovem campineiro, especialmente aquele da periferia e da escola pública, muitas vezes não consegue sonhar ou chegar até a Unicamp? E isso não é só na educação, acontece em muitas outras áreas.

Quando eu vou nas minhas palestras, nas conversas com adolescentes e crianças, a gente sempre tenta pautar essa questão: sabemos que é mais complicado para quem está na periferia, para quem está na escola pública. Eu também sou essa pessoa, vim da periferia, estudei em escola pública, e sei o quão difícil é. Lembro dos meus colegas de escola, das palavras duras que a gente ouvia, que nos colocavam como incapazes de alcançar algo que parecia distante da nossa realidade. Isso é muito preocupante.

Como a experiência da periferia molda o futuro da juventude?

Basta ir ao centro da cidade ou ao shopping para ver: quem está trabalhando lá são os jovens, muitas vezes em escalas absurdas, dedicando a vida a um trabalho que não está libertando, que não oferece um futuro digno. Essa é uma realidade que muitos dos meus colegas da época da escola enfrentam.

Eu tive várias oportunidades nos últimos anos por causa da política, conheci muitos lugares, fui para Brasília duas vezes, passei na Unicamp por conta das cotas para a escola pública. E, claro, eu sou imensamente grata por isso. Mas, infelizmente, muitos dos meus colegas que estudaram comigo não alcançam o que eu estou alcançando. E isso me incomoda muito. Eu sei que os sonhos deles podem ser diferentes dos meus, mas independente do que eles sonham, eu quero que eles também tenham a oportunidade de realizar.

Que futuro queremos construir para os jovens campineiros?

O que eu sonho para Campinas é que seja uma cidade mais convidativa e acolhedora para todos os jovens. Muitos deles, infelizmente, têm a vontade de abandonar a cidade porque não veem perspectiva. Mas Campinas tem, sim, oportunidades. A gente só precisa mostrar isso para a nossa juventude e, mais do que isso, criar os caminhos para ajudá-los a alcançar seus sonhos. A luta por uma Campinas acolhedora é a luta por um futuro justo e digno para cada um dos nossos jovens.

Em resumo

Perguntas frequentes

Qual é o principal desafio da juventude em Campinas, segundo Rebeca Cristina?
O principal desafio é a desigualdade no acesso às oportunidades, especialmente para os jovens que vêm da escola pública e da periferia, que muitas vezes não conseguem se vislumbrar nas possibilidades da cidade.

Como a Rebeca Cristina se conecta com essa causa?
Ela se conecta profundamente porque é uma jovem que veio da periferia e estudou em escola pública, tendo acesso à Unicamp por meio das cotas. Essa vivência pessoal a faz lutar para que mais jovens tenham as mesmas chances.

O que significa uma Campinas mais acolhedora para os jovens?
Significa uma cidade onde todos os jovens, independentemente de sua origem ou condição social, tenham acesso a oportunidades, apoio e caminhos claros para realizar seus sonhos e construir um futuro digno e promissor.