Quando a cidade alaga e os representantes eleitos preferem debater o que está acontecendo do outro lado do mundo em vez de olhar para o que está acontecendo na porta de casa, alguma coisa está muito errada.
O que os frames mostram e o que isso diz sobre prioridades?
Os vídeos que compartilhei foram gravados com Campinas submersa. Nas imagens, dá pra ver ruas tomadas pela lama, terrenos com erosão severa, carros parados em meio à água marrom. O cenário é o de uma cidade que não aguenta mais uma chuva forte. É a realidade de quem mora em bairros periféricos e sabe o que significa ter a rua virar rio toda vez que chove.
Enquanto isso, vereadores bolsonaristas do município escolhem gastar tempo de plenário lacrandono tema Gaza, quando a pauta urgente, real, que afeta diretamente quem os elegeu, está literalmente embaixo d’água.
Eu não estou dizendo que solidariedade internacional não importa. Estou dizendo que vereador municipal tem um mandato para cuidar da cidade. Drenagem, pavimentação, manutenção de encostas, canais entupidos, bueiros bloqueados: isso é trabalho de câmara municipal. E quando essa câmara não exerce esse trabalho, quem paga o preço são as famílias que ficam ilhadas, que perdem móveis, que têm medo de dormir quando chove.
O que a cidade de Campinas precisa de seus vereadores?
Precisa de fiscalização real da gestão pública. Precisa de pressão para que o orçamento chegue onde as pessoas estão. Precisa de vereadores que entendam que o mandato local tem endereço: a cidade que os elegeu, os bairros que os sustentam.
Lacrar sobre assuntos nacionais ou internacionais pode dar engajamento nas redes. Mas não drena a rua, não desobstrui o canal, não evita que a família perca tudo numa tarde de chuva.
Isso é o que eu quis mostrar: a distância entre o que está sendo debatido e o que está sendo vivido.
Em resumo
- Campinas registrou alagamentos graves, com ruas tomadas pela água e erosão visível em bairros periféricos.
- Ao mesmo tempo, vereadores bolsonaristas pautaram o conflito em Gaza na Câmara Municipal.
- A crítica é à falta de prioridade com a infraestrutura urbana e a gestão das chuvas na cidade.
- O mandato de vereador é local: drenagem, conservação e serviços públicos são sua obrigação direta.
Perguntas frequentes
Por que Campinas alaga tanto?
Combinação de impermeabilização do solo, infraestrutura de drenagem deficiente e falta de manutenção dos canais. São problemas que dependem de investimento e fiscalização municipais.
O que vereadores têm a ver com enchentes?
Os vereadores fiscalizam o executivo municipal, aprovam orçamentos e podem cobrar ações de drenagem urbana. É exatamente por isso que o foco do mandato importa.
Como acompanhar o que acontece na Câmara Municipal de Campinas?
As sessões são públicas e transmitidas. Acompanhar e cobrar os representantes eleitos é uma forma direta de pressionar por prioridades reais.