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Rebeca Cristina: por que a denúncia exige acolhimento antes de ser possível

A denúncia é um passo importantíssimo no processo de proteção de mulheres em situação de violência. Mas ela não acontece por decreto. Ela acontece quando existe um ambiente que acolhe.

Por que tão poucas mulheres chegam à denúncia formal?

Essa é uma das perguntas que mais aparecem quando a gente trabalha com enfrentamento à violência. E a resposta é mais complexa do que parece.

Infelizmente, a forma como o sistema está estruturado hoje faz com que a mulher só seja encaminhada para acolhimento ou delegacia se ela quiser fazer a denúncia formalmente. Isso cria uma dependência: a proteção começa depois da denúncia, mas a denúncia depende de condições que muitas mulheres ainda não têm.

Por medo. Por razões econômicas. Por vínculos familiares que tornam a ruptura mais complicada. Por não saber que há apoio real do outro lado. Por ter tentado antes e não ter sido acreditada. São muitas as barreiras, e elas são reais.

É por isso que uma das coisas que a gente mais discute quando fala em acolhimento é justamente o papel de quem está de fora: amigos, familiares, vizinhos, professores, colegas de trabalho. A gente não pode fazer a denúncia no lugar da vítima. Mas podemos e devemos criar um ambiente onde ela se sinta segura o suficiente para dar esse passo por conta própria.

Isso significa escutar sem julgar. Não pressionar. Oferecer informação. Estar presente. Dar continuidade. E entender que esse processo pode levar tempo.

O que significa ter treinamento para auxiliar nas denúncias?

Quem trabalha na área, seja como profissional de saúde, educador, assistente social ou agente comunitário, precisa saber como criar esse ambiente de acolhimento. Não basta ter boa intenção. É preciso saber como escutar, como fornecer informação sem criar pressão, como orientar sem tomar o lugar da mulher no processo.

Essa habilidade não é natural. É aprendida. E quanto mais pessoas tiverem esse preparo, mais sólida fica a rede de proteção.

Em resumo

Perguntas frequentes

Posso denunciar a violência no lugar da vítima?
Em geral, a denúncia precisa partir da própria vítima. O que é possível, em casos de risco imediato, é acionar o serviço de emergência. Mas para encaminhamentos institucionais, a vítima precisa querer participar do processo.

Como posso ajudar alguém que está em situação de violência?
Escutando sem julgamento, oferecendo informações sobre os serviços disponíveis (como o Ligue 180), respeitando o tempo dela e demonstrando que ela tem suporte, seja qual for a decisão que tomar.

Quais são os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência?
O Ligue 180 é a central de atendimento à mulher do governo federal, disponível 24h. Delegacias especializadas (DEAMs) e Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs) também são pontos de acesso ao suporte.