← Voltar ao início

Por que as mulheres têm dificuldade de acessar os equipamentos de proteção contra o feminicídio

Em diálogo com o portal Digitais PUC Campinas, falei sobre as principais dificuldades que a gente encontra no enfrentamento ao feminicídio, e o que eu vi ao longo desses anos de luta é que o problema do acesso começa bem antes da agressão mais grave.

A maioria das mulheres tem dificuldade de acessar os equipamentos de acolhimento e proteção. E muitas vezes esses equipamentos estão distantes de onde elas vivem. Isso não é detalhe: é uma barreira estrutural que coloca vidas em risco.

Por que a distância dos equipamentos de proteção é um problema tão sério?

Uma mulher em situação de violência já enfrenta uma série de obstáculos para buscar ajuda: o medo, a dependência econômica, a falta de rede de apoio, a descrença de que será ouvida. Quando a essa lista ainda se soma a distância física dos serviços de acolhimento, a equação fica ainda mais difícil.

Não adianta existir uma Casa da Mulher ou uma delegacia especializada se a mulher que precisa desses serviços mora em uma região sem transporte adequado, sem acesso fácil, sem condições de se deslocar sem que o agressor perceba. A proteção precisa chegar onde as mulheres estão, e não o contrário.

O que precisa mudar nas políticas públicas de proteção às mulheres?

Primeiro: ampliar a rede de equipamentos nas periferias e nas regiões metropolitanas, que concentram grande parte dos casos de violência doméstica e feminicídio. Segundo: garantir que esses espaços sejam acessíveis, tanto do ponto de vista geográfico quanto do acolhimento, que as mulheres se sintam seguras para chegar lá.

O Estado de São Paulo registrou recordes históricos de feminicídio no primeiro trimestre deste ano. Campinas, especialmente, tem visto o número de casos crescer. Isso exige respostas à altura, com mais investimento, mais equipamentos e mais proximidade.

Agradeço à repórter Lorena Bonfá, ao repórter Danilo Real e à professora Rose Bars, de jornalismo da PUC Campinas, pela reportagem e pelo espaço para falar sobre essa realidade. Esse tipo de cobertura estudantil sobre temas urgentes faz toda a diferença.

Em resumo

Perguntas frequentes

Quais são os principais obstáculos para mulheres vítimas de violência acessarem proteção?
Distância geográfica dos serviços, medo do agressor, dependência econômica e falta de informação sobre os canais de denúncia e acolhimento disponíveis.

O que são equipamentos de acolhimento para mulheres em situação de violência?
São estruturas públicas como Casas da Mulher Brasileira, Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), abrigos e delegacias especializadas, que oferecem suporte jurídico, psicológico e de proteção.

Como posso ajudar uma mulher em situação de violência em Campinas?
Incentive-a a buscar a delegacia mais próxima, o CRAM ou ligar para o Ligue 180, central de atendimento à mulher em situação de violência. Saiba mais em rebecacristina.com.