Um ex-namorado atropelou a vítima e fugiu em São Paulo. Ela estava só vivendo a vida dela, saindo de moto, quando ele decidiu que tinha o direito de tentar tirá-la. Isso não é acidente, não é crime passional, não é loucura. É misoginia. É ódio contra as mulheres.
O que esse caso revela sobre a violência de gênero no Brasil?
Observem como ele abandonou o carro tranquilamente depois do atropelamento. Sem hesitar, sem olhar para trás. Ele agiu como quem sabe que pode sair impune. E esse é o ponto mais assustador de tudo isso: a sensação de impunidade que permite que um homem tente matar a ex-companheira em plena via pública como se não fosse um crime, como se a vida dela não valesse nada.
A misoginia mata. E ela mata em diferentes escalas: nas agressões psicológicas que ninguém vê, no controle que isola, nas ameaças que não chegam a delegacia, e no atropelamento em plena via pública. É o mesmo ódio, em formas diferentes.
Por que a criminalização da misoginia importa?
Ao mesmo tempo que casos como esse acontecem, há políticos que lutam contra a criminalização da misoginia. Há políticos que atacam a Lei Maria da Penha, que vai ao parlamento pedir voto enquanto trabalha contra os direitos das mulheres. A gente precisa prestar atenção nisso. Não dá para separar o debate sobre casos concretos de violência do debate político sobre quem decide as leis que nos protegem ou nos deixam desprotegidas.
A atenção não pode baixar. Não porque as mulheres sejam as responsáveis pela própria segurança: a responsabilidade é do agressor e do Estado. Mas porque o ambiente político e social que normaliza a violência de gênero é o mesmo que deixa as mulheres mais vulneráveis. E mudar esse ambiente exige pressão constante.
Em resumo
- Um ex-namorado atropelou a vítima em São Paulo enquanto ela saía de moto, tentando impedi-la de viver sua vida
- O agressor abandonou o carro com calma, demonstrando a sensação de impunidade como fator que alimenta esse tipo de crime
- O caso é tratado como expressão de misoginia estrutural, não como caso isolado
- Rebeca Cristina critica políticos que se opõem à criminalização da misoginia e à Lei Maria da Penha
Perguntas frequentes
O que é misoginia?
Misoginia é o ódio ou desprezo sistemático por mulheres. Pode se manifestar de formas sutis, como piadas e diminuição, ou de formas extremas, como violência física e feminicídio. É considerada uma das raízes estruturais da violência de gênero.
O que é o feminicídio e como ele se diferencia de outros homicídios?
Feminicídio é o homicídio de uma mulher motivado por sua condição de gênero, geralmente cometido por parceiros ou ex-parceiros. É tipificado como crime no Brasil pela Lei 13.104/2015, com pena mais grave do que o homicídio simples.
O que é a Lei Maria da Penha?
É a Lei 11.340/2006, que estabelece mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Inclui medidas protetivas, como afastamento do agressor, e criou delegacias especializadas no atendimento à mulher.