Não foram as feministas que defenderam pedofilia, casamento infantil ou projetos de lei que retiram direitos de meninas. Quem fez isso foi outro lado. E a gente precisa deixar isso muito claro.
O que Ana Campagnolo disse e por que está errado?
No debate promovido pelo canal Spectrum, a deputada estadual Ana Campagnolo tentou associar o movimento feminista à defesa de pedofilia e incesto, citando autoras feministas tiradas de contexto. O canal Spectrum realizou checagem de fatos e constatou que eu estava certa: as feministas não defenderam isso.
Kate Millett, que Campagnolo citou de forma distorcida, escreveu justamente o contrário no livro Política Sexual. Ela argumenta que o tabu em torno desses temas gera mais violência, porque mulheres e crianças ficam presas em situações sem espaço para falar e denunciar. É o debate aberto sobre violência sexual que protege as meninas, não o silêncio.
Enquanto a deputada tentava revirar o jogo, ela pertence a um partido que aprovou o Decreto Legislativo que suspende campanhas de conscientização contra o casamento infantil e impede informações sobre o direito ao aborto legal nos casos de estupro. São ações concretas, aprovadas com votos reais, que prejudicam meninas reais.
O feminismo é a principal força que lutou para que as mulheres tivessem redes de proteção. A Lei Maria da Penha existe por pressão do movimento feminista. Os mecanismos de denúncia de violência sexual existem por esse mesmo esforço coletivo de décadas. Não é o feminismo que protege agressores. A narrativa invertida de Campagnolo é exatamente o que ela parece ser: uma tentativa de acusar os outros do que você mesmo faz.
O que é o “acuse-os do que você é”?
É uma estratégia política de desviar a atenção dos próprios problemas atribuindo ao adversário exatamente as práticas que você está sendo criticado. No caso, tentar associar feministas à defesa de pedofilia enquanto se integra a um bloco que aprova legislação favorável a agressores.
Em resumo
- Checagem do canal Spectrum confirmou que as afirmações de Campagnolo sobre autoras feministas estavam incorretas
- Kate Millett argumentou que debater temas de violência sexual protege, não prejudica, as vítimas
- O partido de Campagnolo aprovou decreto que suspende campanhas contra casamento infantil e restringe acesso à informação sobre aborto legal em casos de estupro
- O feminismo construiu as principais redes de proteção legal para mulheres e meninas no Brasil
Perguntas frequentes
O que foi o PDL da pedofilia?
Conforme o conteúdo debatido, trata-se de um decreto legislativo que restringe campanhas de conscientização sobre casamento infantil e informações sobre direitos de vítimas de estupro. A nomenclatura “PDL da pedofilia” reflete a crítica ao conteúdo do decreto.
Feministas defenderam incesto ou pedofilia em algum momento histórico?
Não. A checagem realizada pelo canal Spectrum e o contexto da obra citada (Kate Millett) confirmam que a associação feita por Campagnolo era incorreta e distorcia o argumento original.
Por que debater violência sexual protege as vítimas?
Porque quando há informação e espaço para falar, as vítimas encontram mais recursos e coragem para denunciar. O silêncio e o tabu favorecem o agressor, não a vítima.