A Festa do Boi Falô é uma das tradições mais bonitas de Campinas. É um momento de comunhão que a cidade inteira compartilha, especialmente na Páscoa. Mas ela nasceu de um passado marcado pela escravidão, e isso a gente não pode deixar de lado enquanto celebra.
Como nasceu a Festa do Boi Falô?
A história é esta: um menino escravizado chamado Toninho, na antiga Fazenda Santa Genebra, em Campinas, ouviu um boi dizer que não se trabalha na Sexta-feira Santa. Toninho contou ao Barão Geraldo, que acreditou na história e liberou o menino do trabalho forçado naquele dia. Desse episódio nasceu uma das principais tradições da Páscoa campineira.
É um relato que carrega ao mesmo tempo a beleza de uma crença, a brutalidade do trabalho escravo e a humanidade de um menino que encontrou, numa lenda, um respiro dentro de uma vida sem liberdade.
Por que ainda exaltamos o nome do escravagista?
Esse é o questionamento que eu faço. O Barão Geraldo é uma figura histórica que deu nome a um distrito inteiro de Campinas. Mas o que essa história nos conta sobre ele é que ele era um escravizador. E a tradição que carrega seu nome nasceu exatamente de um momento em que um menino escravizado dependia de uma história fantástica para ter um único dia de descanso.
Por que Campinas não leva o nome dos ex-escravizados que participaram da luta e da história do movimento negro da cidade? Por que é mais fácil honrar o nome do Barão do que o nome de quem construiu essa história com suor e resistência?
A verdadeira Páscoa é liberdade. A gente pode celebrar a tradição, cantar a história do Boi Falô, reunir família e comunidade, e ao mesmo tempo fazer essa reflexão: justiça histórica faz parte de como uma cidade se reconhece e se respeita.
Em resumo
- A Festa do Boi Falô nasceu na Fazenda Santa Genebra, a partir da história do menino escravizado Toninho e do Barão Geraldo
- A tradição é celebrada em Campinas como um momento de comunhão na Páscoa
- A reflexão da Rebeca é: por que o nome do escravagista ainda nomeia um distrito da cidade, em vez de honrar a memória dos escravizados?
- A proposta não é acabar com a tradição, mas celebrá-la com consciência histórica
Perguntas frequentes
O que é a Festa do Boi Falô?
É uma das principais tradições da Páscoa em Campinas, que relembra a história do menino Toninho e do boi que, segundo a lenda, disse que não se trabalha na Sexta-feira Santa.
Quem foi o Barão Geraldo?
Foi o proprietário da Fazenda Santa Genebra, em Campinas, onde a história do Boi Falô se originou. Era um escravagista que deu nome ao distrito de Barão Geraldo, na cidade.
Qual é a reflexão que a Rebeca propõe?
Que Campinas pense em renomear espaços que homenageiam figuras escravagistas e passe a honrar a memória e a resistência das pessoas negras e escravizadas que construíram a história da cidade.