Um colégio de elite de São Paulo suspendeu alunos após o que foi descrito como comentários “misóginos”. Mas os relatos mostram algo muito mais grave: meninos elaboraram uma lista com as “meninas mais estupráveis” do colégio. Sim, com essas palavras.
O que aconteceu no colégio de SP?
Meninos de um colégio de elite de São Paulo elaboraram uma lista classificando as colegas por “estuprabillidade”. Não é um apelido ruim, não é uma piada de mau gosto. É a normalização explícita da violência sexual contra as meninas que estudam do lado deles.
Essas meninas correram um risco real a partir do momento em que meninos normalizaram tamanha violência. Quando um grupo de jovens consegue elaborar e compartilhar uma lista como essa, eles já passaram por um processo de desumanização das suas colegas. Esse processo não acontece sozinho: ele é alimentado, ensinado e normalizado por conteúdos e movimentos de ódio às mulheres que circulam amplamente na internet.
Por que isso não é caso isolado?
A violência de gênero está crescendo entre homens jovens por influência de movimentos organizados de ódio às mulheres. O que aconteceu nesse colégio é o resultado visível de um processo invisível que acontece em grupos, em plataformas, em conteúdos que ninguém regula e que recruta meninos para enxergar as meninas como alvos.
Chamar isso de “comentário misógino” e suspender os alunos por alguns dias trata como disciplina escolar o que é, na sua essência, uma questão de segurança. Essas meninas precisam de proteção, não de uma punição proporcional ao nível de gravidade que os adultos ao redor conseguem enxergar.
O que precisa mudar?
É preciso criminalizar a misoginia imediatamente. Enquanto o ódio às mulheres for tratado como opinião e não como crime, mais meninos vão aprender que podem criar listas, que podem violentar, que podem ameaçar, e que o máximo que vai acontecer é uma suspensão.
A escola pública e a escola privada precisam urgentemente de formação sobre violência de gênero, consentimento e relações de poder. Não como disciplina optativa, mas como parte essencial da formação de qualquer criança ou adolescente.
Em resumo
- Meninos de um colégio de elite de SP elaboraram uma lista com “as meninas mais estupráveis”, configurando violência de gênero
- O caso não é isolado: a violência de gênero entre jovens está crescendo por influência de movimentos de ódio às mulheres na internet
- A escola precisa ir além de suspensões e tratar o tema como questão de segurança das alunas
- A criminalização da misoginia é necessária para responsabilizar quem alimenta essa cultura de violência
Perguntas frequentes
O que é misoginia e por que deve ser criminalizada?
Misoginia é o sentimento e discurso de ódio contra as mulheres. Deve ser criminalizada porque alimenta a violência de gênero, o assédio e o feminicídio, e não pode ser tratada apenas como “opinião”.
Por que o caso do colégio de SP é considerado violência de gênero e não só indisciplina?
Porque a elaboração de uma lista de “meninas mais estupráveis” normaliza a violência sexual contra as alunas e representa um risco real para elas. Isso vai muito além de um comportamento inadequado.
Como os movimentos de ódio às mulheres na internet influenciam os jovens?
Por meio de conteúdos que desumanizam as mulheres e apresentam a violência contra elas como algo desejável, divertido ou até heroico. Esses conteúdos circulam em plataformas sem controle e atingem meninos em formação.