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A realidade das mulheres: o medo da violência começa na infância

A realidade de vida das mulheres é cercada pelo medo da violência, e a gente vive com esse medo desde a infância. Compartilhei esse relato porque ele deixa isso dolorosamente claro.

O que esse relato revela sobre a experiência das mulheres?

Uma mulher de mais de 50 anos conta que sofreu seu primeiro assédio aos 12 anos. E que, décadas depois, em 2026, as mulheres ainda sofrem da mesma forma. Não mudou. Crescer não é proteção. Envelhecer não é proteção. A violência acompanha as mulheres por toda a vida.

O que existe por trás disso é o machismo estrutural. A ideia de que as mulheres estão sempre à disposição dos homens, que o corpo feminino é território de acesso livre. Isso não acontece por acidente. É aprendido, reproduzido, tolerado.

E no carnaval, como ela aponta, esse comportamento encontra uma desculpa pronta: a bebida, a folia, a suposta “liberdade” da festa. Mas bebida não cria assédio. Carnaval não cria assédio. O que existe é uma cultura que já normalizou a violência, e a festa apenas remove a vergonha de praticá-la em público.

Por que “não é não” precisa ser mais do que um slogan?

“Quando a gente quer, a gente quer. E quando a gente não quer, não quer.” Simples assim. A frase parece óbvia, mas o fato de ainda precisarmos dizê-la, décadas depois, mostra que o básico ainda não foi internalizado.

A luta contra o assédio não é só sobre carnaval. É sobre construir uma cultura onde o “não” seja respeitado em qualquer circunstância, a qualquer hora, por qualquer mulher, independentemente da roupa que está usando, do lugar onde está ou da bebida que tomou.

Isso começa na educação, na conversa dentro de casa, nas escolas, na responsabilização de quem agride. E começa em cada um de nós, que pode escolher não tolerar nem normalizar nenhum tipo de comportamento violento.

Em resumo

Perguntas frequentes

Por que o assédio aumenta durante o carnaval?
O carnaval não aumenta o número de pessoas dispostas a assediar; ele remove inibições sociais que normalmente freiam comportamentos violentos. A raiz do problema é o machismo estrutural, não a festa.

O que é machismo estrutural?
É o conjunto de valores, normas e práticas que, ao longo do tempo, colocam as mulheres em posição subordinada e normalizam comportamentos violentos contra elas. Está presente nas instituições, na mídia, na educação e nas relações cotidianas.

Como o “não é não” se aplica na prática?
Qualquer contato físico, investida ou aproximação que não tenha sido explicitamente consentida é assédio. O silêncio, a hesitação ou a ausência de resposta não significam concordância.