Um sargento tirou a vida da esposa Gabriele e da filha Jade, de apenas um ano, neste último Dia dos Pais em Santos, e depois cometeu suicídio. Casos como esse são um soco no estômago e nos obrigam a olhar para uma realidade brutal no Brasil: até 10 feminicídios acontecem por dia. É uma epidemia de violência que não podemos mais tratar como questões individuais.
Como a misoginia se conecta à saúde mental masculina?
A gente discute muito pouco a relação dos homens com as mulheres, e menos ainda sobre a saúde mental masculina. Quando um homem, especialmente em um espaço de poder como era o caso desse sargento, onde ele precisa provar sua masculinidade o tempo todo, não encontra apoio para suas questões de saúde mental, os problemas podem se converter em ódio e violência.
A misoginia não é uma patologia, mas é uma atitude que, quando não é confrontada ou tratada, se transforma em algo devastador. É como uma corda que vai esticando, esticando, esticando, até que ela arrebenta e mais mulheres e meninas perdem suas vidas. Nós, enquanto sociedade, falhamos em pautar políticas públicas que alcancem esses homens, que ofereçam espaços de escuta e tratamento, e que desconstruam essa masculinidade tóxica que adoece e mata.
Minha solidariedade e os meus mais profundos sentimentos vão para a família de Gabriele e Jade. Não podemos deixar de lutar para que essas tragédias não aconteçam mais. É urgente que a gente comece a refletir sobre o papel que temos em promover a saúde mental para todos, e em desmantelar a misoginia que permeia nossa cultura.
Em resumo
- Casos de feminicídio, como o ocorrido em Santos, não são isolados e refletem uma epidemia de violência no Brasil.
- A falta de discussão sobre a saúde mental masculina e o impacto da misoginia contribuem para a escalada da violência contra mulheres.
- É crucial que a sociedade paute e implemente políticas públicas que ofereçam apoio e tratamento para homens, desconstruindo a masculinidade tóxica.
- A misoginia, quando não tratada, se torna um fator determinante em feminicídios.
- É preciso lutar por um futuro onde mulheres e meninas estejam seguras.
Perguntas frequentes
O que é feminicídio?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Isso inclui casos de violência doméstica, sexual, ou quando há menosprezo ou discriminação à condição feminina.
Como a saúde mental masculina se relaciona com a violência de gênero?
A falta de espaços para que homens expressem suas emoções e recebam apoio psicológico, aliada a pressões sociais para manter uma “masculinidade forte”, pode levar a frustrações e raiva que, em contextos misóginos, podem se manifestar como violência contra mulheres.
O que podemos fazer para prevenir casos como esse?
É fundamental investir em educação para a equidade de gênero desde a infância, promover políticas públicas de saúde mental acessíveis para homens, combater a misoginia em todas as suas formas e fortalecer a rede de proteção e acolhimento às mulheres.
Para fazer parte de um movimento que luta pela vida e proteção das mulheres do estado de São Paulo, você pode conhecer mais em rebecacristina.com.