Não tem justificativa. Não é porque é Carnaval, não é porque tinha bebida, não é por causa da roupa. Assédio é violência, e violência não tem desculpa.
Por que o assédio aumenta no Carnaval?
Essa é uma pergunta que a gente precisa encarar de frente, sem romantizar. Uma das falas que circula muito é a de que o consumo de álcool “faz os homens perderem o freio”. Mas isso é exatamente o problema: a ideia de que existe um “freio moral” que contém o assédio. O que contém o assédio é o respeito, e respeito não deveria precisar de freio.
O que o Carnaval faz é revelar o que já existe. O assédio acontece todos os dias, em todas as situações. A folia só torna mais visível algo que a cultura já normaliza: a ideia de que o corpo da mulher está disponível para o olhar, o toque e o comentário alheio.
As formas de assédio que acontecem no Carnaval vão de comentários ofensivos a toques sem consentimento, de empurrar na bebida a colocar substâncias no copo de alguém sem que ela saiba. Isso é crime. Em qualquer situação.
O que precisa mudar?
A frase “não é não” parece simples, mas carrega uma exigência profunda: que o não da mulher seja ouvido, respeitado e nunca precisar ser explicado. Não é “não por enquanto”. Não é “não, mas talvez”. É não, e ponto.
Mudar essa cultura passa por educação, por políticas públicas e, principalmente, por homens que se posicionam. Não basta não assediar. Precisa falar quando vê o outro assediando. Precisa interromper. Precisa não rir da piada que trata a violência como entretenimento.
O nosso espaço de acolhimento durante o Carnaval fica na Avenida Santa Isabel, 404, em Barão Geraldo, Campinas. Se você sofreu algum tipo de violência, vem. A gente está lá por você.
Em resumo
- O assédio no Carnaval não é causado pela folia: é a normalização cultural da violência se manifestando num contexto de menor vigilância social
- As formas de assédio incluem comentários ofensivos, toque sem consentimento e adulteração de bebidas, todas criminosas
- A mudança exige posicionamento ativo dos homens, não só a ausência de agressão
- Acolhimento disponível na Av. Santa Isabel, 404, Barão Geraldo, Campinas
Perguntas frequentes
O álcool justifica o assédio no Carnaval?
Não. O álcool não cria o assédio, revela atitudes que já existem. O respeito ao “não” não deveria depender de estado de sobriedade.
O que fazer se sofrer assédio no Carnaval de Campinas?
Procure o espaço de acolhimento do Carnaval Sem Assédio na Avenida Santa Isabel, 404, Barão Geraldo. Há voluntários, suporte da Polícia Civil e atendimento jurídico.
Colocar algo na bebida de alguém é crime?
Sim. Adulterar a bebida de outra pessoa sem consentimento é crime e pode configurar tentativa de violação sexual mediante fraude, entre outros enquadramentos legais.