Hoje completam-se seis anos do assassinato brutal de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. É uma data que nos lembra de uma ferida aberta na nossa democracia e na nossa luta por justiça. Seis anos se passaram e os mandantes desse crime ainda não foram punidos, o que é um soco no estômago para todos nós que acreditamos na justiça e em um país onde a violência não seja a resposta para o debate político.
Mas a violência contra mulheres na política não começou e, infelizmente, não terminou com Marielle. Ela é um exemplo doloroso do nível de violência que nós, mulheres, enfrentamos quando ousamos ocupar espaços de poder e decisão. Essa data nos convida a uma reflexão profunda sobre como a violência de gênero é um obstáculo gigantesco para a participação feminina na política e por que nossa representação é mais do que necessária.
Por que a violência de gênero é um problema estrutural no Brasil?
Quando a gente fala sobre violência contra a mulher, é importante entender a dimensão do problema. No Brasil, os números são alarmantes: pelo menos 30% das mulheres já sofreram algum tipo de violência. Se incluirmos a violência psicológica, esse número sobe para 43%. Isso não é só um dado, é a realidade de milhões de mulheres que vivem com medo e com suas vidas impactadas. Em 2023, o nosso país registrou mais de 1400 feminicídios. São vidas interrompidas, famílias destruídas, sonhos ceifados.
Essa violência não é um caso isolado, ela é estrutural. Está enraizada em uma sociedade que ainda tem dificuldade em aceitar a autonomia e o poder feminino. E quando essa mulher decide entrar para a política, a situação pode ficar ainda mais complicada.
Como a violência de gênero afeta a participação das mulheres na política?
A subrepresentação feminina na política é um reflexo direto dessa estrutura. As mulheres são a maioria da população, mas ainda somos minoria nos espaços de poder. Apenas 18% das candidaturas femininas, por exemplo, são eleitas. Isso mostra o tamanho do desafio que temos para eleger mais mulheres e garantir que suas vozes sejam ouvidas.
E o pior é que a violência de gênero não termina quando uma mulher é eleita. Pelo contrário, ela pode até piorar. Muitas de nós enfrentamos assédio moral, assédio sexual e ameaças constantes no poder. Isso acontece porque a nossa presença desafia o status quo, incomoda quem está acostumado a ver apenas homens tomando decisões. A violência política de gênero busca nos calar, nos descredibilizar e nos afastar dos espaços onde podemos fazer a diferença.
É por isso que a nossa representação é tão importante. Precisamos de mais mulheres na política para lutar contra essa violência, para criar leis mais eficazes, para fiscalizar as políticas públicas e para inspirar outras mulheres a não se calarem. A justiça por Marielle é também a luta por um futuro onde nenhuma mulher seja silenciada pela violência, seja nas ruas ou nos parlamentos.
Em resumo
- Seis anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, com os mandantes ainda impunes.
- No Brasil, pelo menos 30% das mulheres já sofreram violência, e mais de 1400 feminicídios foram registrados em 2023.
- Mulheres são subrepresentadas na política, com apenas 18% das candidaturas femininas sendo eleitas.
- A violência de gênero na política pode piorar após a eleição, com assédio moral, sexual e ameaças.
- A representação feminina na política é crucial para combater a violência e promover a justiça.
Perguntas frequentes
O que é violência política de gênero?
É qualquer ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir o exercício dos direitos políticos das mulheres, ou de desvalorizar sua atuação política, por razões de gênero.
Por que a punição dos mandantes do assassinato de Marielle Franco é tão importante?
A punição dos mandantes é fundamental para que a justiça seja feita e para enviar uma mensagem clara de que a violência política não será tolerada em nossa democracia, coibindo futuros atos semelhantes.
Como podemos aumentar a representação feminina na política?
É preciso fortalecer a participação das mulheres desde as bases, garantir equidade nas campanhas, combater o assédio e a violência política, e promover a educação para uma cultura de igualdade e respeito.