É um soco no estômago quando a gente se depara com histórias como as de Melissa Campos e de uma adolescente do colégio Mackenzie. Duas escolas, duas histórias marcadas pela violência de gênero, e que escancaram uma verdade dura: as violências também são perpetuadas nos espaços que deveriam ser os mais seguros para nossas crianças e adolescentes. Eu, que atuo há anos no combate e prevenção à violência de gênero e sou fundadora do projeto Escola Sem Assédio, vejo esses casos como alertas graves de que precisamos agir.
Por que as escolas ainda não são espaços seguros para as meninas?
A Melissa Campos tinha apenas 14 anos quando foi assassinada por um colega de classe dentro da sala de aula, em Uberaba, Minas Gerais. Ele a atacou com uma tesoura, e ela não resistiu. Em São Paulo, uma adolescente de 15 anos foi encontrada desmaiada no banheiro de um colégio de elite, o Mackenzie. Ela estava com uma sacola amarrada na cabeça, e a suspeita é de que tudo isso tenha ocorrido por conta de racismo, homofobia e misoginia que ela sofria recorrentemente na escola, e que, infelizmente, foi acobertado pela direção em diversas ocasiões.
Esses casos não são exceções. São o reflexo de uma crescente onda de misoginia entre meninos e adolescentes, e da falta de preparo das escolas para lidar com situações de violência de gênero, racismo e LGBTfobia. Quando as vítimas não são acolhidas e os agressores ficam impunes, a mensagem que se passa é de que esses crimes são aceitáveis, e as situações de violência tendem a escalar.
A escola é, sim, o espaço onde aprendemos a nos relacionar com as diferenças, a condenar atitudes e crimes como racismo, LGBTfobia e misoginia. Mas ela também precisa ser um lugar de acolhimento quando uma criança ou adolescente é vítima. Jamais podemos permitir a omissão ou o acobertamento. Adolescentes precisam de atenção dobrada, e as instituições de ensino têm um papel fundamental na proteção e no desenvolvimento de uma cultura de respeito e segurança.
O que podemos fazer para mudar essa realidade?
É urgente que as escolas estejam por dentro das realidades das meninas e da necessidade de combater a violência de gênero em todas as suas formas. Isso passa por capacitação de professores e funcionários, criação de canais de denúncia seguros e eficazes, e um acolhimento verdadeiro às vítimas.
Eu te convido a participar de um movimento que está lutando pela proteção e por acolhimento das mulheres e meninas no estado de São Paulo. A gente precisa de políticas públicas que garantam um ambiente escolar seguro e que responsabilizem quem pratica e quem acoberta a violência. Você pode assinar o abaixo-assinado por essas políticas de proteção, basta acessar meu site rebecacristina.com e buscar pela seção “Ciclos de Proteção”.
Ninguém vai estar livre até que todos nós estejamos livres. Essa é uma reflexão que a gente precisa fazer enquanto sociedade, e a escola é um dos primeiros lugares onde essa mudança precisa começar.
Em resumo
- A violência de gênero é uma realidade brutal que se perpetua também dentro das escolas.
- Casos como o assassinato de Melissa Campos e a agressão no Mackenzie mostram a urgência de escolas serem espaços seguros.
- A omissão e a impunidade dos agressores fazem com que as situações de violência escalem.
- É fundamental que as escolas acolham as vítimas e combatam ativamente a misoginia, racismo e LGBTfobia.
Perguntas frequentes
Qual o papel da escola no combate à violência de gênero?
A escola deve ser um ambiente de aprendizado e acolhimento, onde se educa sobre respeito às diferenças e se combate ativamente a misoginia, racismo e LGBTfobia, além de oferecer canais seguros de denúncia e acolhimento às vítimas.
O que é o projeto Escola Sem Assédio?
O Escola Sem Assédio é um projeto fundado pela Rebeca Cristina que visa a proteção contra a violência sexual na infância e adolescência, buscando tornar os ambientes escolares mais seguros.
Como a comunidade pode apoiar a proteção de meninas nas escolas?
A comunidade pode se engajar em movimentos por políticas públicas de proteção, como o abaixo-assinado mencionado, além de fiscalizar e cobrar das instituições de ensino ações efetivas de prevenção e acolhimento.