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Rebeca Cristina: como a resiliência moldou uma trajetória política desde a infância

Quando as pessoas me perguntam há quantos meses entrei na política, eu rio. Porque a resposta não é meses: é a vida toda.

Construir a luta e ser resiliente são coisas que aprendi ainda na infância. Cresci nos bairros Padre Anchieta, Vila Régio e Parque Santa Bárbara, em Campinas, filha de professores formados pelo PROUNI. A política não foi algo que descobri depois de adulta: ela sempre esteve no cotidiano de quem depende do serviço público pra estudar, se locomover e se desenvolver.

Como uma criança começa a participar da política?

A participação política não começa necessariamente com cargo ou campanha. Começa com o grêmio estudantil, com a percepção de que as coisas poderiam ser diferentes, com a vontade de mudar o que está errado. Aos 14 anos, fui eleita para o Parlamento Jovem, e aquilo confirmou o que eu já sentia: esse espaço também era meu, e eu tinha algo a contribuir.

No carrossel que compartilhei, aparece uma pergunta que ouço com frequência: “Você é tão nova, há quantos meses participa da política?” Logo depois, uma das imagens me mostra segurando um crachá do grupo Mulheres do Brasil, onde participo do comitê de combate à violência contra mulheres. Outra foto me registra no 60º CONUNE, representando São Paulo. E há uma imagem do Carnaval Sem Assédio, projeto que fundei em 2024, onde apareço em meio à festa segurando um material informativo sobre assédio. São capítulos diferentes de uma mesma história que começa muito antes de qualquer trend nas redes sociais.

Por que a resiliência é central nessa trajetória?

Porque nenhum dos projetos que construí surgiu do nada, num caminho fácil. A Escola Sem Assédio, o Carnaval Sem Assédio, o Clube Santo: cada iniciativa nasceu de perceber uma lacuna e decidir preenchê-la, mesmo sem estrutura, sem recurso garantido, sem o caminho aberto.

A resiliência que aprendi na infância não é romantismo: é a capacidade de continuar mesmo quando o ambiente não facilita, quando as portas não estão abertas e quando a pergunta que te fazem não é “como posso te ajudar?” mas “você tem certeza que quer isso?”.

Sem o apoio de amigos, companheiros e família, não teria chegado até aqui. Isso também é verdade e precisa ser dito. Nenhuma luta se constrói sozinha, e a coletividade é parte do que nos faz resistir.

Em resumo

Perguntas frequentes

Desde quando Rebeca Cristina participa da política?
Desde a infância. Aos 14 anos foi eleita para o Parlamento Jovem e atuou em grêmio estudantil antes disso.

O que é o Carnaval Sem Assédio?
É um projeto fundado por Rebeca em Campinas, desde 2024, que atua na prevenção ao assédio durante o carnaval, com distribuição de material informativo e capacitação.

O que é a Escola Sem Assédio?
É um projeto fundado por Rebeca voltado à proteção contra violência sexual na infância e adolescência, com rodas de conversa em escolas e comunidades.