← Voltar ao início

Rebeca Cristina: A luta contra a violência no trabalho e a história de Carol Ragazzi

A história da Carol Ragazzi é um soco no estômago e um retrato doloroso da violência que muitas mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho. Ela inspira ao falar sobre a sua trajetória com muita coragem, e o que ela viveu não é um caso isolado, mas uma realidade que atinge milhares de nós todos os dias. O mercado de trabalho ainda é muito hostil para as mulheres, e é urgente que as políticas públicas acompanhem o nosso dia a dia para garantir direitos e segurança.

Por que o mercado de trabalho ainda é tão hostil para as mulheres?

A Carol era vice-presidente de um dos maiores bancos do mundo. E foi exatamente quando ela engravidou da sua primeira filha que a discriminação começou. Dentro de uma das maiores instituições financeiras do planeta, crescia a cultura de que “quando nasce uma mãe, morre uma profissional”. É absurdo pensar que uma mulher, em uma posição de tanto poder e reconhecimento, em um ambiente que geralmente é majoritariamente masculino, não foi poupada de sofrer com a violência de gênero e o assédio no ambiente de trabalho. Isso mostra que nenhuma de nós está imune, independentemente do cargo ou do salário.

Os dados são alarmantes: as mulheres representam 45% da força de trabalho no Brasil. E, chocantemente, 20% delas passaram por uma situação de assédio ou uma situação abusiva no trabalho só em 2024. O relato da Carol é muito real e pessoal, mas infelizmente ele ecoa na vida de inúmeras mulheres. Se pra Carol, que tinha uma posição de destaque, foi desse jeito, imagine para nós, mulheres da periferia, que trabalhamos em escalas exaustivas como 5×2 ou 6×1. Quando engravidamos ou temos filhos, é muito pior e muito mais difícil lidar com essas situações de violência no trabalho. A gente não encontra redes de apoio pra lidar com isso, principalmente pelo medo de perder nosso emprego e o sustento que vai para os nossos filhos.

Como as políticas públicas e a cultura podem mudar essa realidade?

Eu sempre trago aqui que a luta contra todo tipo de violência precisa estar inserida em todos os ambientes que nós frequentamos. Porque em todos os lugares nós estamos suscetíveis a sofrer com esses vários tipos de violência. E no ambiente de trabalho, onde geralmente existe uma hierarquia forte, se arranjam mais desculpas, mais motivos, entre aspas, pra que essas violências aconteçam. Além disso, por termos uma dependência financeira do nosso trabalho, o medo da denúncia e de não conseguir continuar na carreira ou na profissão que escolhemos se torna ainda maior.

É urgente que as políticas públicas se apliquem diariamente na vida das mulheres, garantindo que o direito de ser mãe não seja um atestado de “morte profissional”. Também é urgente que uma mudança cultural aconteça, e todo mundo precisa fazer parte desse processo. Não podemos mais aceitar que a maternidade seja um fardo ou um impedimento para a carreira de uma mulher. Precisamos de ambientes de trabalho que valorizem e protejam, em vez de discriminar e assediar.

Em resumo

Perguntas frequentes

O que é assédio moral no trabalho?
O assédio moral no trabalho envolve condutas abusivas, repetitivas e intencionais que expõem o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, afetando sua dignidade e saúde física e mental.

Como a gravidez afeta a carreira da mulher no Brasil?
Infelizmente, a gravidez ainda pode levar à discriminação, demissão injusta ou estagnação na carreira, mesmo com leis de proteção à maternidade. Muitas mulheres enfrentam preconceito e a percepção de que sua produtividade diminuirá.

Onde buscar ajuda em casos de assédio no trabalho?
É possível buscar apoio no sindicato da categoria, no Ministério Público do Trabalho (MPT), em delegacias especializadas (se houver violência física ou sexual), e através de advogados especializados em direito do trabalho.

Qual o papel das políticas públicas no combate à violência no trabalho?
As políticas públicas devem garantir a fiscalização das leis trabalhistas, promover campanhas de conscientização, oferecer canais de denúncia seguros e eficazes, e apoiar empresas na criação de ambientes de trabalho inclusivos e respeitosos.