É com muita tristeza que a gente se depara com notícias como a que veio da Universidade Estadual da Paraíba. Um homem foi assassinado dentro do campus, e outros estudantes se machucaram ou precisaram fugir de um tiroteio. Esse tipo de evento não é um caso isolado e, infelizmente, ele expõe uma realidade dolorosa: a falta de planejamento e políticas públicas eficazes de mitigação e prevenção da violência em todo o Brasil, não só nas universidades.
Por que a violência se normaliza em nossos espaços?
O que aconteceu na UEPB é um reflexo de um problema muito maior. Uma estudante, inclusive, denunciou que há tempos a universidade vem recebendo ataques nazistas, com pichações e mensagens espalhadas pelo campus. Mesmo que o atirador não tenha relação direta com esses grupos, eu sempre falo que a normalização da violência cria ambientes propícios para situações piores. O culto à morte e a banalização da violência são características fortes do fascismo, e quando a gente não combate isso nos espaços que estão sendo atacados, estamos, na verdade, criando um terreno fértil para que violências ainda mais graves aconteçam. É assim que a gente vai tornando nossos ambientes cada vez mais vulneráveis e inseguros.
Qual o papel das políticas públicas na segurança dos campi?
A falta de segurança e a ausência de um combate efetivo a essas violências sistemáticas tiraram a vida desse rapaz. Eu lamento muito que isso tenha acontecido e desejo meus pêsames a toda a família. Mas essa tragédia nos força a questionar: onde estão as políticas públicas que deveriam proteger nossos estudantes? Onde está o planejamento que deveria garantir que universidades e outros espaços públicos sejam locais de acolhimento e aprendizado, e não de medo e violência?
A segurança pública não se faz apenas com policiamento, mas com um conjunto de ações preventivas, de educação, de combate à intolerância e de promoção de direitos humanos. Precisamos de estratégias que identifiquem os riscos, que acolham as denúncias e que, de fato, atuem para desmantelar qualquer forma de violência antes que ela se torne uma tragédia irreversível.
Como podemos construir ambientes mais seguros?
A luta contra a violência é coletiva. Não podemos esperar que tragédias aconteçam para reagir. É preciso que as instituições de ensino, os governos e a sociedade civil se unam para criar e implementar políticas de proteção robustas. Isso inclui desde a segurança física dos campi até programas de conscientização, apoio psicológico e canais de denúncia eficazes para combater o assédio, a intolerância e qualquer manifestação que ameace a dignidade e a vida.
Eu acredito que, com mais diálogo, investimento em educação para a paz e, principalmente, com a implementação de políticas públicas sérias, podemos reverter esse cenário e garantir que nossas universidades e todos os nossos espaços sejam, de fato, ambientes seguros para todos.
Em resumo
- Um assassinato e um tiroteio na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) expuseram a vulnerabilidade dos campi.
- Ataques nazistas prévios na universidade indicam um ambiente de normalização da violência.
- A normalização e a banalização da violência criam cenários propícios para tragédias.
- Há uma carência de planejamento e políticas públicas eficazes de mitigação e prevenção da violência em todo o Brasil.
Perguntas frequentes
O que aconteceu na UEPB?
Um homem foi assassinado dentro do campus da Universidade Estadual da Paraíba, e outros estudantes ficaram feridos ou tentaram fugir de um tiroteio.
A violência em universidades é um caso isolado?
Não, o caso da UEPB é apontado como um reflexo da falta generalizada de planejamento e políticas públicas de segurança e prevenção da violência em todo o Brasil.
Como a normalização da violência afeta a segurança?
A normalização da violência e o “culto à morte” criam ambientes cada vez mais vulneráveis, onde violências graves podem acontecer mais facilmente, como visto nos ataques nazistas e, posteriormente, no assassinato na UEPB.
O que pode ser feito para melhorar a segurança nos campi?
É fundamental implementar políticas públicas de mitigação e prevenção da violência, que incluam planejamento, educação, combate à intolerância, canais de denúncia eficazes e apoio às vítimas.