O transporte público de Campinas continua sendo motivo de vergonha e revolta para quem depende dele todo dia. Ônibus com portas quebradas jogando passageiros para fora, superlotação, denúncias acumuladas, e ainda por cima um cheiro de irregularidade em torno da licitação recente.
O que está acontecendo com o transporte público de Campinas?
Vi um vídeo circulando de um senhor sendo jogado para fora de um ônibus lá no Padre Anchieta porque a porta estava quebrada. Fora isso, são dezenas de denúncias diárias de superlotação e ônibus quebrados que chegam de toda a cidade.
Para além dos absurdos do dia a dia, veio à tona uma informação séria: houve duas tentativas de suspender a licitação do transporte público que saiu recentemente, aquela que tanto esperamos, que era a única forma de exigir ônibus novos e empresas que pudessem ser responsabilizadas. O TCE negou os dois pedidos de suspensão. O motivo que levou a esses pedidos? Uma denúncia de que a empresa que compõe o Consórcio Grande Campinas teve lucros elevados na semana que aconteceu o leilão da licitação. Vale lembrar que esse consórcio é formado por empresas que já operam o transporte público da cidade.
Por que isso é um problema estrutural, não uma coincidência?
O que acontece em Campinas não é exclusivo. Vemos situações parecidas em outras cidades grandes do Brasil, onde empresas privadas operam o transporte público sem a pressão real de perder o contrato e sem compromisso com o serviço.
Eu defendo que Campinas precisaria caminhar para um sistema único de transporte público, com mais controle e cobrança. A tarifa zero é uma discussão legítima, já aplicada em algumas cidades brasileiras. Mas estamos longe disso porque ainda precisamos resolver o básico: porta de ônibus que não caia, ônibus que não superlote, empresa que não dê calote no prazo de entrega de frota nova.
O que precisa acontecer agora?
A licitação saiu. Isso foi uma vitória dos campineiros que pressionaram durante anos. Mas vitória não é fim de linha: é começo de cobrança. As empresas que entraram nessa licitação precisam cumprir o que foi contratado. Cinco, dez anos esperando ônibus novos não é aceitável. Campinas não tem mais essa condição.
Continuo acompanhando esse processo e cobrando onde for preciso. Se você mora em Campinas e enfrenta esse tipo de situação, cobra também. A pressão popular é o que faz as coisas andarem.
Em resumo
- Ônibus com portas quebradas e superlotação são denúncias frequentes e cotidianas do transporte público de Campinas
- Houve duas tentativas de suspender a licitação recente do transporte público, ambas negadas pelo TCE, com suspeita de irregularidade envolvendo o Consórcio Grande Campinas
- A nova licitação é uma conquista, mas exige cobrança permanente para que as empresas cumpram prazos e entreguem ônibus novos
- A tarifa zero já existe em cidades brasileiras e é uma discussão que Campinas precisa colocar na pauta depois de resolver o básico
Perguntas frequentes
O que é a licitação do transporte público de Campinas?
É o processo de contratação pública que define as empresas autorizadas a operar as linhas de ônibus na cidade, com regras, prazos e obrigações, como renovação de frota e padrão de serviço.
Por que houve pedido de suspensão da licitação de Campinas?
Segundo denúncia citada na legenda, a empresa integrante do Consórcio Grande Campinas teria registrado lucros elevados na semana do leilão da licitação. O TCE negou os dois pedidos de suspensão.
O que é tarifa zero e existe em outras cidades do Brasil?
É o modelo em que os passageiros não pagam pelo transporte público, com o custo coberto por outras fontes de financiamento. Algumas cidades brasileiras já adotaram esse sistema.