Três feminicídios em menos de 24 horas na região de Campinas. Uma aqui em Campinas, uma em Sumaré, uma em Itatiba. Isso é uma situação de calamidade pública, e a gente precisa chamar pelo nome que é.
Por que três mortes em um dia precisam ser tratadas como emergência?
Porque não são casos isolados. São o sintoma de um problema estrutural que se repete: homens que acreditam ter poder e posse sobre a vida das mulheres, e que cometem esses crimes porque ainda há a sensação de que podem fazer isso livremente.
E isso caminha lado a lado de uma estrutura pública precarizada. No estado de São Paulo, muitos equipamentos de proteção às mulheres estão funcionando abaixo do necessário. Mulheres que realmente precisam dessas políticas não têm acesso. As políticas de proteção precisam chegar antes do crime acontecer: na maioria dos casos de feminicídio, a vítima já tinha passado por outras situações de violência antes, sem receber o acolhimento adequado. A violência escala porque as intervenções anteriores falharam.
Qual é o papel dos homens nessa luta?
Essa pergunta precisa ser respondida com clareza: o papel dos homens não é só não ser agressor. Não basta. É preciso levantar a voz. É preciso se posicionar contra outros homens agressores. É preciso interromper, questionar, não ficar em silêncio quando um amigo faz uma piada sobre controle ou posse.
A falha é dupla: sistêmica, porque as políticas não alcançam quem precisa; e cultural, porque homens continuam acreditando ter poder sobre a vida das mulheres.
Deixo aqui meus mais profundos sentimentos às famílias das três mulheres. E convido você a assinar o abaixo-assinado pela Vida e Proteção das Mulheres no Estado de São Paulo, disponível em rebecacristina.com.
Em resumo
- Três mulheres foram mortas em menos de 24 horas em Campinas, Sumaré e Itatiba
- O feminicídio é uma falha sistêmica: políticas precarizadas não chegam antes do crime
- Não basta não ser agressor: homens precisam se posicionar ativamente contra outros agressores
- Assine o abaixo-assinado pela proteção das mulheres em SP em rebecacristina.com
Perguntas frequentes
Qual é o canal de denúncia para violência contra a mulher?
O Disque 180 é a Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, gratuitamente.
O que são equipamentos públicos para mulheres?
São serviços como Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Casas-Abrigo, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) e outros pontos de acolhimento e suporte para mulheres em situação de violência.
Como homens podem ajudar a combater o feminicídio?
Não ficando em silêncio diante de comportamentos controladores ou violentos de outros homens. Interrompendo, questionando, e entendendo que a responsabilidade pelo enfrentamento da violência de gênero é coletiva.