Nós homenageamos 27 mulheres vítimas de feminicídio na região de Campinas. Mas elas são mais de 10 mil nos últimos anos. E a pergunta que precisa ser feita não é “por que fizemos uma vigília”, é “por que ainda precisamos fazer vigílias”.
Por que uma vigília em memória das vítimas de feminicídio?
Ao menos 4 mulheres são assassinadas por dia no Brasil apenas por serem mulheres. São tantas que a gente tem dificuldade de nomear cada uma delas. É por isso que esse tipo de ato é ao mesmo tempo necessário e doloroso.
A nossa vigília aconteceu com o apoio do Rotary Campinas Andorinhas e do OEDLA-UNICAMP. Começamos com o nome de Thaís Fernanda Ribeiro, uma das vítimas de feminicídio de Campinas, e caminhamos juntas lembrando os nomes de todas elas. Cada nome é uma vida. Cada nome é uma família destruída. Cada nome é uma denúncia.
O que a nossa presença na rua denuncia?
A nossa presença na rua é a denúncia de uma sociedade adoecida e de um Estado que falhou na proteção. Nós não deveríamos precisar mobilizar uma vigília. Essas mulheres deveriam estar aqui.
Quando a gente ilumina os nomes das vítimas de feminicídio, não está pedindo lamento. Está exigindo que a sociedade pare de tratar essa violência como inevitável, como resultado de “relacionamentos que deram errado”, como algo que acontece “nas famílias”. O feminicídio é o desfecho de uma cadeia de violências que, em muitos casos, foi ignorada por quem tinha obrigação de agir.
O que precisa mudar para que essas vigílias não sejam mais necessárias?
Queremos ser livres. Queremos ficar vivas. Para isso, precisamos de uma rede de proteção que funcione: delegacias preparadas, medidas protetivas cumpridas, casas de acolhimento com estrutura, e uma sociedade que reconheça a desumanização das mulheres como o caminho que leva ao feminicídio.
Relembrar é um ato político. Mas relembrar sem mudar nada é insuficiente. Continuamos em luta.
Em resumo
- A vigília em Campinas homenageou 27 mulheres vítimas de feminicídio da região, com o apoio do Rotary Campinas Andorinhas e do OEDLA-UNICAMP
- Mais de 10 mil mulheres foram vítimas de feminicídio nos últimos anos, segundo dado citado na legenda
- A presença na rua é denúncia de uma sociedade adoecida e de um Estado que falhou na proteção das mulheres
- O ato é um chamado à memória e à mudança, não ao lamento
Perguntas frequentes
Quantas mulheres são vítimas de feminicídio por dia no Brasil?
Segundo a legenda do post, ao menos 4 mulheres são assassinadas por dia apenas por serem mulheres.
O que é feminicídio?
É o assassinato de mulheres motivado pelo gênero, ou seja, pelo fato de serem mulheres. No Brasil, é tipificado como crime qualificado desde 2015.
Quem organizou a vigília em Campinas?
A vigília foi realizada com o apoio do Rotary Campinas Andorinhas e do OEDLA-UNICAMP, em memória às vítimas de feminicídio de Campinas e região.